Brasil gera resíduo como primeiro mundo, mas o tratamento ainda é de nação subdesenvolvida

Fonte: Revista Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade | Publicação: 09/08/16

No momento em que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/2010) completa seis anos de vigência, a ABRELPE (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) finalizou uma análise inédita e comparativa sobre a situação dos resíduos sólidos urbanos no Brasil e no mundo, e conclui que o País gera RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) como as nações de primeiro mundo, porém trata e destina esses resíduos como país subdesenvolvido.

Cada brasileiro produz em média 387 quilos de resíduos por habitante por ano, o equivalente àquilo que é produzido nos países de renda média/alta (com PIB per capita em torno de US$ 10 mil /ano), de acordo com os dados divulgados em um estudo recentemente publicado pela ISWA (International Solid Waste Association) e UNEP (United Nations Environment Programme).

Por outro lado, enquanto nos países de média e alta renda, a coleta chega a praticamente 100% do que é gerado e a destinação adequada também atinge patamares próximos da totalidade (96% do total), o Brasil ainda está bastante atrasado, equiparando-se aos países com renda bem inferior (PIB per capita inferior a US$ 1.000 por ano).

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil publicado pela ABRELPE, em 2014 foram geradas 78,6 milhões de toneladas de RSU, das quais pouco mais de 71 milhões de toneladas foram coletadas, com 30 millhões de toneladas/ano (42%) sendo encaminhadas para locais inadequados (lixões e aterros controlados).

Tais dados implicam que no Brasil aproximadamente 80 milhões de pessoas (38,5% da população) não têm acesso a serviços de tratamento e destinação final adequados dos resíduos (mais de 3,3 mil municípios brasileiros ainda dispõem seus resíduos em lixões e aterros controlados) e mais de 20 milhões de pessoas sequer contam com a coleta regular.

O relatório internacional Global Waste Management Outlook estima que cerca de 2 bilhões de toneladas de RSU são produzidas anualmente no mundo e que 3 bilhões de pessoas (quase 50% da população mundial) não contam com a destinação final adequada dos resíduos.

“O brasileiro está gerando uma quantidade de resíduos sólidos equivalente ao nosso PIB per capita, porém no quesito gestão o país ainda está muitíssimo atrasado, com índices de destinação adequada muito inferiores à média mundial para os países que estão no mesmo nível do Brasil”, afirma o diretor presidente da ABRELPE, Carlos Silva Filho.

O custo na inação na gestão dos RSU impacta diretamente na saúde pública e no meio ambiente. No mundo, os gastos com a manutenção dos lixões existentes, tratamentos de saúde e degradação ambiental, ocasionados pela falta de coleta e pela destinação inadequada, excedem de 5 a 10 vezes o valor necessário para resolver o problema de gestão dos resíduos.

No Brasil, esta equação é de mais ou menos o dobro do valor. De acordo com estimativas da ABRELPE, seriam necessários investimentos de mais ou menos R$ 7 bilhões até 2023 para universalizar a destinação adequada dos resíduos sólidos no País, montante que representa a metade dos R$ 14 bilhões que o governo precisará desembolsar para remediar os problemas decorrentes da má gestão dos RSU.

“É muito mais barato e eficiente investir em infraestrutura para solucionar o problema, do que desperdiçar quase o dobro de recursos com tratamentos de saúde e remediações ambientais por conta, especialmente, da permanência dos lixões no País”, explica Silva Filho.

Segundo ele, o Brasil precisa priorizar a gestão dos RSU, e cumprir o disposto na PNRS, providenciando o fechamento imediato dos lixões. Para tanto, em sua opinião, é indispensável que os municípios contem com uma fonte de recursos específica para custear as mudanças previstas na Lei e a operação do sistema de gestão de resíduos sólidos, que historicamente tem sofrido com a limitação dos orçamentos públicos municipais.

“Apenas com investimentos adequados poderemos alcançar um modelo eficiente e adequado na gestão de resíduos, que vai resultar em índices elevados de reciclagem e de recuperação de materiais, os quais passam a ser considerados como recursos”, finaliza do diretor presidente da ABRELPE.

Moradores de Mogi denunciam descarte irregular de lixo hospitalar

Fonte: G1

Publicação: 05/08/16

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Os moradores do distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, estã preocupados com o descarte incorreto de materiais médicos. Receituários, seringas, tubos de soro, cateters, geralmente usados em unidades que fazem atendimento de saúde, apareceram em num terreno, na Rua Professor Altino Arantes. O risco de contaminação assusta moradores.

Nas receitas, é possível ver o carimbo da unidade básica de saúde de Jundiapeba e até nomes de pacientes. No mesmo local, tubos de soro e cateters usados. O mestre de obras Marcelo Moraes Dantas diz que estava ainda pior, mas algumas coisas já foram levadas pela própria população. “Quando a gente chegou no local, tinha dois sacos pretos, um fechado e outro meio aberto. Em um tinha soro, esparadrapo, seringa. Esses sacos foram levados e não sabemos quem levou. Crianças brincam aqui, as pessoas passam e é preocupante por causa da contaminação”, explica Dantas.

O lixo está em um terreno bem próximo a uma avenida movimentada. ”As crianças que soltam pipa aqui e brincam direto aqui. Tem agulha, catéter, sangue. Se uma criança se fura aqui como vai fazer? Eu fico o dia todo sentado para ninguém queimar. Eles queriam queimar, mas não pode. Tem que vir alguém responsável e retirar isso, porque mesmo que você queime, a fumaça vai exalar e alguém vai aspirar isso”, contou Maria Inês Marcolino.

Nenhum morador faz ideia de quem jogou lixo hospitalar. Eles só sabem que tudo começou há pouco mais de uma semana. “Que seja retirado e não aconteça mais isso. Temos filhos que podem pisar em cima disso e pegar até uma doença contagiosa. Não sabemos que doença pode levar aos nossos filhos. Queremos que eles retirem”, pede o montador de andaime Anderson Silvestre.

As secretarias de Segurança e de Saúde de Mogi das Cruzes informaram que emitiram a notificação e o termo de fiscalização à empresa terceirizada responsável pela coleta, destinação e encaminhamento do lixo hospitalar das unidades de saúde do município. De acordo com as secretarias, equipes do Departamento de Fiscalização de posturas e da Vigilância Sanitária Municipal já estiveram no local, identificaram o material e já começaram a retirar. Denúncias podem ser feitas pelo 162.

Prefeitura de São Paulo implementa serviço de coleta por catadores

Autor: Sara Fernandes

Fonte: Rede Brasil Atual

Publicação: 04/08/16

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São Paulo – Vinte e oito distritos da cidade de São Paulo já têm em funcionamento um sistema diferente para coletar lixo: são os catadores de material reciclável que, de porta em porta, fazem o serviço enquanto conversam com os moradores sobre a melhor maneira de descartar os resíduos. A expectativa é que o projeto piloto, implementado há três meses, seja estendido aos os 96 bairros da cidade. A iniciativa foi apresentada hoje (4) durante o terceiro encontro do ciclo de Diálogos Resíduo Zero.

Apesar do pouco tempo, esse tipo de coleta já é considerado mais eficiente e mais econômica pelo poder público e por organizações da sociedade civil. Em média, o custo é de apenas R$ 67 por tonelada coletada, e o total de rejeito é de 20%. Na coleta feita por compactador, o custo é de R$ 252 por tonelada e a média de rejeito de 50%. Na coleta por contêineres, a presença de rejeito é de 60% e o custo é de R$ 175 por tonelada, segundo dados do movimento Aliança Resíduo Zero Brasil.

“A coleta feita pelos catadores é muito mais eficiente que a das empresas, até porque eles fazem o trabalho de conscientizar a população”, disse o coordenador de programas da Secretaria de Serviços, Djalma Oliveira. Atualmente, os catadores recolhem em média uma tonelada por dia de materiais recicláveis em cada um dos 28 distritos onde a operação é realizada. O que não pode ser reciclado é deixado em pontos estratégicos para ser recolhido pelos caminhões de lixo.

Catadores que estiveram presentes no evento afirmaram, no entanto, que as condições ainda são muito desiguais na comparação com as empresas privadas que possuem contratos de coleta de lixo. Atualmente, o serviço está dividido em quatro grandes companhias, que possuem contratos milionários e de pelo menos dez anos. Até o final do ano, a prefeitura espera lançar um edital que subdivida a cidade em diferentes áreas para coleta de lixo e distribua serviço entre mais empresas e entre as cooperativas de catadores.

“Nosso trabalho tem a eficiência reconhecida pelo poder público, mas muitas vezes trabalhamos em troca de migalhas contra concessionárias que ganham milhões. É uma briga desigual”, disse Valquíria Santos, membro da cooperativa de catadores do Grajaú, na zona sul. Segundo ela, a coleta feita porta a porta por catadores é uma demanda histórica da categoria. “Fazemos tudo isso com pouquíssimo incentivo da prefeitura. Tudo o que entra na cooperativa entra pelo trabalho dos catadores, que só querem igualdade e trabalho digno pra levar alimentação pra dentro de casa”, afirmou o presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Eduardo de Paula.

Em São Paulo, apenas 10% das associações reconhecidas de catadores de materiais recicláveis são autorizadas a receber os produtos coletados pela prefeitura. A estimativa do poder público é que pelo menos 10 mil catadores trabalhem de forma autônoma, considerada mais precária que os associados a alguma organização. Da mesma forma, estão registrados no município 550 sucateiros e ferros velhos, mas estima-se que pelo menos 5 mil trabalhem de forma irregular, segundo a Aliança Resíduo Zero Brasil.

Ao todo 94% dos resíduos coletados na cidade de São Paulo vão parar em aterros sanitários. Porém, dados do movimento mostram que pelo menos 86% desses materiais poderiam ter outros destinos, como a reciclagem. Em média, um morador do Alto de Pinheiros, na zona oeste, produz 1,75 quilo de lixo por dia, ante 0,63 quilo diário produzido por morador de Cidade Tiradentes, na zona leste.

O Maior lixão da América Latina

Autor: Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE   |   Por: Marcio Pimenta
Fonte: http://rmai.com.br/estudo-visa-uso-do-residuo-de-ceramica-vermelha-em-concreto/

Brasília é quente, seja pelo clima ou por ser o epicentro das decisões políticas de uma das maiores economias do mundo. Não há muita sombra para se proteger do sol e nem se poupar das conversas. Aqui, tudo e todos, parecem aspirar ao poder. As conversas nos bares e restaurantes, no café do restaurante do Senado, na beira do lago, enfim, em cada quadra fala-se compulsivamente em economia política. É uma cidade de forasteiros, que buscam aqui uma oportunidade de servir ao poder. O motorista que me leva até o local da minha pauta é gentil e me poupa de conversas sobre política. Liga o ar-condicionado e me oferece uma água gelada. O trajeto não é tão longo, mas ele tem tempo para me contar que dirige durante o dia e é cantor gospel nos fins-de-semana. Vitor, o motorista, por coincidência foi o mesmo que me buscou na noite anterior em um restaurante de luxo da cidade, onde estive na condição de convidado, claro. Foi naquela oportunidade que havia contado a ele que era fotojornalista, então, quando me reencontrou ficou animado em saber qual seria a pauta em que eu iria trabalhar. “Comecei a dirigir recentemente, e agora, por causa dos passageiros, estou conhecendo toda a cidade. Mas nunca ouvi falar neste lugar que estou te levando, o que tem lá?”, me pergunta com um misto de curiosidade e preocupação. “É perigoso?”, não se contém em me indagar. Respondo que não faço a menor ideia, pois assim como ele, eu também nunca estive lá antes. Mas tento tranquilizá-lo dizendo de que no Congresso Nacional há pessoas mais perigosas que em nosso destino. Ele pareceu gostar.

A preocupação de Vitor é legítima. Estamos indo para a Estrutural, um dos bairros mais violentos do Distrito Federal. É lá que está o Aterro Controlado do Jóquei, também conhecido como “Lixão do Jóquei”, de responsabilidade do governo do Distrito Federal. Estamos há apenas 15 km de distância da Praça dos Três Poderes. É o maior lixão a céu aberto da América Latina. Nele trabalham – as fontes divergem – entre 600 a 2 600 pessoas. É o senhor João quem nos recebe. Ele destaca um funcionário para me guiar pelo local. Vitor prefere ficar no carro estacionado sob a sombra de uma mangueira.

Há poeira para todo lado. Caminhões de lixo e tratores trafegam em um ritmo frenético, trazendo todo o lixo da cidade de Brasília. A área tem 200 hectares, completamente cercada, e atinge uma altura de até 50 metros de puro lixo. É o destino de 100% do lixo coletado no Distrito Federal. Em números isso significa 2,8 mil toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos por dia e entre 6 mil e 8 mil toneladas de resíduos da construção civil. Rapidamente avisto os primeiros catadores de lixo. E também pombas, ratos, urubus e moscas. “Eles não gostam de ser fotografados”, me avisa o meu guia, Israel. Desço do carro e começo o meu trabalho. Apesar das recomendações da assessoria de comunicação do Serviço de Limpeza Urbana sobre itens de segurança que eu deveria usar, me recuso a colocar a máscara de proteção. Seria ofensivo eu me encontrar protegido enquanto os catadores trabalham sem a proteção que me recomendaram. Prefiro então estar como eles. Israel apenas me observa. Talvez isso tenha ajudado a me aproximar destes trabalhadores. Eles também ficam contentes ao ver que sigo junto com eles por trás de um trator que esmaga com suas esteiras o lixo que será recolhido por eles. “É perigoso, vá com cuidado”, me alerta um deles. Também deve-se ficar atento onde se pisa. Seringas, facas e outros objetos perfurantes e cortantes são mais comuns do que se imagina. Isso sem se falar em vidros. Mas reciclar é preciso. No artigo Profissão: Catador, publicado pela National Geographic Brasil, na edição Especial Lixo, de 2013, destaca-se que a estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que no Brasil existem 600 mil catadores e que eles são responsáveis por 90% dos resíduos que foram recuperados. O catador é, portanto, peça fundamental. Muitos sentem vergonha de estarem recolhendo lixo. Mas não deveriam, sem eles, todos nós estaríamos em apuros. Mas a discriminação existe. E esta é a razão pela qual não gostam muito de fotógrafos.

Mas hoje eles parecem à vontade. “Achei uma boneca!”, vibra uma das catadoras. “O que fará com ela?”, pergunto imediatamente. “Esta vou levar para a minha filha”, e sorri. A catadora, que preferiu não dizer o nome, tem 30 anos, é magra e assim como os demais está quase que completamente coberta com roupa e uma máscara improvisada feita de tecido. O pouco que posso ver são seus belos olhos escuros e uma pele ainda jovem e delicada. Ela chega ao trabalho quando ainda está amanhecendo, “para me poupar do sol”. E retorna para casa para cuidar das crianças na volta da escola. Ela, assim como os demais, não tem salário fixo, e como são autônomos dependem da produção. Eles me contam que ganham por volta de R$ 1.200 a R$ 1.500 por mês. E o futuro os preocupa. No segundo semestre deverá entrar em operação o Aterro Sanitário Oeste, um projeto moderno e elaborado com estudos de impacto ambiental, e com isso o Lixão do Jóquei será desativado.

A cerca, que tem o objetivo de evitar a entrada de pessoas que não estão ligadas à atividade, não impede o acesso de crianças. Quase sempre sozinhas, elas tentam ganhar algum dinheiro para ajudar suas famílias. Mas sempre que flagradas são retiradas pelos funcionários do aterro ou até mesmo conduzidas de volta às suas famílias.

Algum tempo depois, retorno para a portaria e reencontro o meu motorista. Vitor imediatamente liga o ar-condicionado. “Olha, ontem busquei o senhor num restaurante de luxo e hoje o senhor veio trabalhar no lixo… que loucura!”, diz ele já nos conduzindo de volta ao centro de Brasília. “Sabe, enquanto você estava lá fotografando, fiquei contando quantos caminhões entraram para deixar o lixo no aterro. Perdi a conta. Produzimos lixo demais!”, se espanta ele. “Nos restaurantes por exemplo, cada canudo, cada plástico para enrolar canudos, guardanapos, talheres… é mesmo necessário tudo isso?”, enquanto me oferece mais uma água gelada num copo plástico. Dispenso desta vez, seria um luxo desnecessário.

Dinamarca torna-se líder no combate ao desperdício alimentar

Fonte: http://www.netresiduos.com/content.aspx?menuid=134&eid=3811&bl=1&page=2
Idioma: Português – Portugal
Publicação: 19/07/2016

A redução do desperdício alimentar está a ter grande sucesso entre os dinamarqueses, através de vários equipamentos sob a forma de bancos alimentares assim como cozinhas e supermercados especializados. Nas lojas da Bo Welfare, um projeto de habitação social, os utentes pagam cerca de 2,40 euros por um saco reutilizável para depois encherem com o que quiserem. Os voluntários que gerem a loja recolhem, duas vezes por semana, vegetais que estejam com embalagens danificadas ou cujo prazo de validade está a terminar.

Estas iniciativas fazem parte de um movimento de cidadãos para ajudar a Dinamarca a reduzir o desperdício alimentar em um quarto, relativamente aos valores de 2014. Esta loja em particular serve 100 a 150 pessoas na localidade de Horsen e a clientela consiste na sua maioria em refugiados e pessoas que estejam a receber benefícios sociais.

A Dinamarca têm atualmente mais iniciativas contra o desperdício alimentar do que qualquer estado europeu. Estas iniciativas incluem campanhas de sensibilização e subsídios do governo para projetos de controlo de desperdício alimentar. O esforço feito pelo lobby Stop Spild Af Mad (Parem de desperdiçar comida) contribuiu para a proliferação destas iniciativas e assim aproxima a Dinamarca dos seus objetivos relativos ao desperdício alimentar.

Repleto de lixo, fundos da Vila Olímpica abrigam depósito de entulho e dejetos

Autores – CAMILA MATTOSO e ROBERTO DE OLIVEIRA, ENVIADOS ESPECIAIS AO RIO
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1797072-repleto-de-lixo-fundos-da-vila-olimpica-abrigam-deposito-de-entulho-e-dejetos.shtml

Enquanto os olhos do mundo se fixam nos prédios de fachada, na entrada da Vila Olímpica, que abrigam delegações como as de Austrália e Itália, nos fundos do complexo imobiliário um amontoado de detritos e restos de material empacotado, que nem foi usado, ocupa uma área aproximada ao tamanho de um campo de futebol.

Não há cerca ou qualquer controle de entrada, muito menos funcionários.

O entulho da Vila Olímpica está a cerca de 80 passos da principal portaria, vigiada por guardas da Força Nacional, por onde entram caminhões que vão abastecer o refeitório olímpico, mas também por onde circulam atletas das delegações.

Quem entra no local, que tem aparência de abandonado, tem uma finalidade: encontrar algum item que possa ser reaproveitado.

Ao menos sete torres, ocupadas por países como África do Sul e Inglaterra, mantêm suas sacadas e janelas voltadas para o amontoado de detritos.

O material encontrado por ali é vasto: há contêineres inteiros ou desmontados, encanamentos, fios, postes, duas caixas d’água, com capacidade para dez mil litros cada uma, tubulações, caixas de metal, guaritas desativadas, cadeiras e carriolas, entre outros itens. E lixo, muito lixo.

Há até material novo, como pacotes de lajotas de pisos ainda plastificados.

Em alguns trechos, o cheiro de urina e fezes é nauseante. Espaço farto para acumulo de insetos, como o Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue e zika, que tanto assustam os estrangeiros, e ratos.

O lema dos Jogos é a “sustentabilidade”, com o objetivo de conduzir todas as atividades com “responsabilidade social, ambiental e econômica”, diz o comitê organizador. Entre suas bandeiras, a principal delas é a redução do impacto ambiental.

A reportagem da Folha circulou por lá durante duas horas. Encontrou, além de detritos, um funcionário da Light, que estava trabalhando na região, à procura de uma cadeira com rodinhas. E a encontrou.

De acordo com alguns funcionários de prédios vizinhos ao terreno, que reclamam da sujeira, muita gente já se deu bem ali, levando as sobras deixadas para casa.

Pela regulamentação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), há um programa chamado Gestão de Resíduos da Construção Civil. Segundo o Sinduscon-Rio, a empresa construtora deve apresentar o projeto de gestão de resíduos. Nessa fase, deve informar qual será a quantidade que será gerada e para onde serão levados.

No fim da obra, a empresa tem de comprovar à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que os detritos foram removidos e informar para qual central de tratamento foram enviados.

OUTRO LADO

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Rio informa que a Vila Olímpica possui licenciamento ambiental emitido em 20 de julho de 2015, com validade de 48 meses. A empresa tem esse prazo para dar destinação correta aos resíduos de construção civil, em local legalizado pela prefeitura, de acordo com a legislação ambiental.

Ainda segundo a pasta, até o fim dos últimos reparos da obra a área será limpa, e os resíduos receberão destinação adequada.

Responsável pela construção do complexo olímpico, a Ilha Pura, consórcio formado por Carvalho Hosken e Odebrecht, disse que a área do entulho fica em terreno que é seu. Afirmou também que parte do material destina-se a obras que ainda estão sendo executadas, apesar de a Vila Olímpica ter sido entregue ao comitê organizador no dia 15 de junho.

Olimpíadas Rio 2016 terão coleta seletiva

Autores – Luiz Henrique Galerani e Marta Moraes

Fonte: http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=1747

 Iniciativa lançada nesta sexta-feira prepara catadores para atuar na coleta de materiais recicláveis durante os jogos olímpicos e paralímpicos.

Esta será a primeira edição dos jogos olímpicos e paralímpicos a contar com catadores de materiais recicláveis atuando nos serviços de coleta seletiva. O lançamento da iniciativa “Reciclagem Inclusiva: Catadores nos Jogos Rio 2016” aconteceu nesta sexta-feira (29/07), na sede da cooperativa Ecoponto, no Rio de Janeiro.

A parceria é resultado de um diálogo entre a Rio 2016, o governo federal, através do Ministério do Trabalho, e o governo estadual, através da Secretaria Estadual do Ambiente, além da iniciativa privada. O Ministério do Meio Ambiente é um dos parceiros da ação e participou ativamente da sua elaboração.

FUNCIONAMENTO

Segundo explica Raquel Breda, diretora do Departamento de Consumo Sustentável do MMA, a gestão adequada dos resíduos sólidos é um dos eixos do Programa de Sustentabilidade dos Jogos Olímpicos 2016, que adotou um sistema envolvendo o ciclo da geração até a destinação final em todas as fases das competições.

O trabalho será executado por 240 catadores, e mais 60 de reserva, das redes Movimento, Recicla Rio e Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis (Febracom) e suas cooperativas filiadas. Além de os catadores envolvidos na iniciativa serem remunerados durante a ação, todo o material reciclável será destinado às associações e cooperativas selecionadas. A atuação dos catadores acontecerá em três áreas da competição: Deodoro, Barra da Tijuca e Maracanã.

A estimativa dos organizadores é que durante os jogos sejam geradas cerca de 3,5 mil toneladas de materiais recicláveis e a orientação é que 100% seja coletado e encaminhado para reciclagem.

PAPEL DOS CATADORES

Os catadores atuarão em duas frentes: uma educativa, com ações de sensibilização do público, e outra mais operacional. Caberá aos trabalhadores a separação, o transporte e a organização dos resíduos em um centro de triagem, o Ecoponto Brasil, e sua destinação às cooperativas selecionadas. Vale ressaltar que todos os trabalhadores participaram de capacitações realizadas nos dias 14 e 15 de julho, no Rio de Janeiro, e que serão fornecidos uniformes especiais e equipamentos de proteção individual.

Claudete Costa (foto), 25 anos, três filhos, é presidente da cooperativa Ecoponto Brasil e representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis do estado do Rio de Janeiro.

Catadora de material reciclado desde os 11 anos, Claudete afirmou estar feliz com a oportunidade. “Essa iniciativa nos jogos representa uma força e uma valorização do nosso trabalho. A reciclagem já faz parte do nosso dia a dia. Mas, no contato com o público durante as competições poderemos mostrar a importância da participação de cada um, num processo que ajuda o meio ambiente, os catadores e ainda gera economia de recursos”, explica.

Claudete conta, com orgulho, que construiu toda a sua vida e criou seus filhos como catadora. “Devo muito a esse trabalho. A reciclagem inclusiva abre muito mais portas do que as pessoas imaginam. Estou animada com esse contato com os atletas e com um público tão diverso”, afirma.

O INÍCIO

A iniciativa “Reciclagem Inclusiva: Catadores nos Jogos Rio 2016” começou em 2015, quando a Câmara Temática de Sustentabilidade, criada pelo governo federal para coordenar e consolidar as ações Copa do Mundo FIFA 2014, iniciou um esforço conjunto dos entes federais para a viabilização da coleta seletiva e inserção de catadores na gestão de resíduos no âmbito dos Jogos, do Revezamento da Tocha e das Cidades do Futebol.

Além da parceria que viabilizou a iniciativa no Rio de Janeiro, estão previstas parcerias com atores locais para a implementação da coleta seletiva nas demais cidades que sediarão as competições de futebol masculino e feminino: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Manaus. O objetivo é fortalecer essa política pública e concretizar um importante legado de sustentabilidade para o País.

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): (61) 2028-1227

Startup gerencia a disposição de resíduos sólidos de obras e indústrias

Fonte:http://www.hiramsartori.com.br/2016/06/startup-gerencia-a-disposicao-de-residuos-solidos-de-obras-e-industrias/

Um dos maiores problemas urbanos hoje é a falta de cuidado com o lixo, que acaba sendo descartado de modo irregular pela cidade. Segundo a Superintendência de Limpeza Urbana, em Belo Horizonte existem 1.200 pontos de disposição ilegal de resíduos, que são conhecidos. O prejuízo para a população vai desde a saúde pública, até uma estética feia e suja que custa muito caro para o poder público, e consequentemente para a população.

Por isso sempre que surge iniciativas que visam solucionar um problema público, especialmente relacionada a limpeza das cidades e ao meio ambiente, eu apoio e divulgo como exemplo de empreendedorismo social. A Startup Net Resíduos é uma dessas iniciativas que devem ser faladas e usadas pelas construções de obras na cidade. Ela disponibiliza uma ferramenta para planejamento e gestão de resíduos da construção civil e industrial, que funciona no computador, tablete ou celular.

O objetivo da Net Resíduos é gerenciar para o cliente a disposição do lixo de sua obra ou indústria de maneira segura e dentro da legalidade. Ele acompanha o fluxo de resíduos desde a sua geração até a sua destinação final, inclusive passando pelo transporte. Os resíduos gerados pelo cliente são transportados por empresas cadastradas e legalizadas na prefeitura e destinados à locais devidamente licenciados, possibilitando que os resíduos sejam dispostos de forma adequada, sem danos ao meio ambiente, dentro das leis ambientais vigentes.

Essa startup é especialmente necessária já que o Brasil gera 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano e na construção civil e industrial sua gestão é ainda mais desafiadora, seja por falta de apoio da prefeitura ou do próprio gestor. E recentemente a Net Resíduos foi aprovada na primeira etapa do primeiro ciclo de 2016 da Brasil Inovativa, um programa de aceleração para negócios inovadores em todo país, apoiado pele Sebrae e realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A Net Resíduos foi criada pela Ambiência, empresa de engenharia ambiental que busca redução dos impactos ambientais e geração de benefícios econômicos, ambientais e sociais aos envolvidos. Ela atua com o Gerenciamento de resíduos da construção civil e junto com os municípios atua nos planos municipais de gestão de resíduos sólidos, ajudando nos problemas como o seu manejo incorreto. Sua parceira na startup, a Conecta Brasil, fornece soluções em tecnologias web além de consultoria em metodologias de desenvolvimento de software.

Se você tem problemas com os resíduos da sua obra, vale a pena dar uma conferida em empresas que prezam pela preservação do meio ambiente, que valorizam a comunidade em que atuam, e respeitam as leis do município. E até mesmo os consumidores, fiquem atentos em como o fabricante do seu produto atua no mercado para que tenha um desenvolvimento sustentável.

Gerei resíduos, como devo fazer em BH ?

A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) é responsável pela coleta domiciliar de lixo, varrição, capina e aterramento de resíduos, coleta seletiva, reciclagem de entulho e compostagem, entre outros. Hoje, 96% dos moradores da cidade são atendidos com coleta domiciliar, que, por dia, recolhe aproximadamente 4.700 toneladas de lixo em Belo Horizonte.

caminhao

 O que é o lixo domiciliar e como esse resíduo deve ser descartado?

Os resíduos sólidos domiciliares ou lixo domiciliar compreendem os resíduos de residências, de edifícios públicos e coletivos, além de comércio, serviços e indústrias, desde que apresentem as mesmas características dos provenientes de residências. É o lixo gerado no dia a dia, como restos de alimentos, embalagens diversas e produtos de higiene pessoal.

O lixo domiciliar é recolhido pela Prefeitura e deve ser exposto no passeio, devidamente acondicionado, nos dias e horários determinados pela SLU. Para saber o calendário da coleta na sua rua, informe-se pelo Telefone 156.

O acondicionamento dos resíduos deve ser feito da seguinte forma:

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elimine os líquidos;
 embale corretamente os materiais pontiagudos, perfurantes e cortantes, em jornal ou outro tipo de papel, de modo a prevenir acidentes e não machucar o gari.

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 Como descartar entulho, madeira, móveis velhos e resíduos de podas?

Esses resíduos não são considerados lixo domiciliar, portanto, não são recolhidos pela coleta. Mas a Prefeitura disponibiliza alternativa gratuita para o descarte desses materiais. Basta levá-los a uma Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV).

O volume de resíduo diário, por pessoa, é de 1 metro cúbico, o que equivale ao volume de um porta-malas, ou duas carroças. Além de entulho, madeira, móveis velhos e resíduos de podas de árvores e jardins, as URPVs recebem pneus e colchões.

As unidades não recebem lixo doméstico, lixo de sacolão, resíduos industriais ou de serviços de saúde, nem animais mortos.

 Confira aqui os endereços das URPVs.

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 O que são materiais recicláveis e como funciona a coleta seletiva em Belo Horizonte?

Os materiais recicláveis são classificados em papel, plástico, metal e vidro. Eles são recolhidos pela coleta seletiva e encaminhados para a destinação correta, a fim de serem reaproveitados.

Belo Horizonte é beneficiada por duas modalidades de coleta seletiva: ponto a ponto e porta a porta.

 Coleta seletiva ponto a ponto: Nesse tipo de coleta, são instalados contêineres nas cores padrão para os materiais recicláveis: azul para o papel, vermelho para o plástico, amarelo para o metal e verde para o vidro.

A população separa os recicláveis em sua residência ou local de trabalho e os deposita em contêineres instalados pela Prefeitura. Cada ponto é chamado de Local de Entrega Voluntária (LEV).

 Confira aqui os endereços dos LEVs.

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 Coleta seletiva porta a porta: os materiais recicláveis são separados pelos moradores e recolhidos pela Prefeitura. Eles são destinados para as associações ou cooperativas de catadores e trabalhadores com materiais recicláveis, participantes do Fórum Municipal Lixo& Cidadania.

Confira aqui os bairros que recebem a coleta seletiva porta a porta.

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 Como descartar os grandes volumes de entulho?

Para o descarte gratuito de entulho, Belo Horizonte conta com as Estações de Reciclagem de Entulho. Nessas unidades, os resíduos da construção civil são transformados em agregados reciclados, podendo substituir a brita e a areia utilizadas em elementos da construção civil que não tenham função estrutural.

Essas unidades recebem os resíduos transportados por caminhões e empresas de caçambas desde que apresentem, no máximo, 5% de outros materiais (papel, plástico, metal etc.) e não contenham terra, matéria orgânica, gesso e amianto.

Para mais informações sobre esse serviço, clique aqui.

Outra opção para o descarte correto de resíduo de construção civil, como restos de componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento), argamassa, concreto e terra, são os aterros particulares autorizados pela Prefeitura.

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 Quais são as penalidades para quem faz o descarte irregular dos resíduos?

A deposição irregular em passeios, canteiros centrais, vias, praças e lotes vagos sujeitam o infrator a multas de até R$ 4.303,46.

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Crescimento da reciclagem de Isopor pode trazer benefícios à construção civil

Pesquisa mostra que o Brasil reciclou, em 2012, 34,5% do EPS (poliestireno expandido) que consumiu, ou seja, reciclou 13.570 toneladas das 39.340 toneladas de EPS pós-consumo.

Ao segregar o resíduo pós-consumo nota-se ampla superioridade em termos de volume disponível do resíduo não doméstico em detrimento do doméstico. Os resíduos domésticos são aqueles gerados dentro de residências, enquanto os não domésticos são provenientes de hospitais, empresas, centros comerciais e instituições.

Os dados mostram que a reciclagem do EPS pós-consumo (embalagens diversas, entre outros) tem crescido em um ritmo de 25,3% ao ano no Brasil, resultado muito positivo, comparável a países desenvolvidos. Em 2008, por exemplo, o Brasil reciclava apenas 13,9% do que era descartado na época.

Em 2012, as 22 recicladoras de EPS do Brasil faturaram juntas R$ 85,6 milhões e empregaram 1.413 pessoas. Essas empresas representam uma capacidade instalada de 30.473 toneladas.

O Sudeste é a região que apresenta os maiores volumes de produção de reciclado, condizente com a sua maior capacidade instalada de reciclagem. A região Sul também tem uma posição relevante em termos de produção, por conta de melhores condições logísticas – inclusive com iniciativas eficientes de logística reversa – que favorecem um alto nível operacional do parque industrial de reciclagem.

Em 2012, a indústria brasileira de reciclagem de EPS operou com 60% de sua capacidade instalada, marca que pode ser melhorada com maior atenção à coleta seletiva. E Isso porque, mesmo o EPS sendo um material muito comum no cotidiano, muitas pessoas não sabem que o EPS é um plástico e que é 100% reciclável. Este cenário mudará significativa e positivamente com a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS.

A Construção Civil é o maior mercado para o EPS reciclado, com cerca de 80% (misturado em argamassa, concreto leve, lajotas, telhas termoacústicas, rodapés e decks de piscinas). Outras aplicações são verificadas para a indústria de calçados (solados, chinelos), móveis (preenchimento de puffs, por exemplo), na fabricação de utilidades domésticas (vasos de flor, floreiras, molduras de quadro), entre outros produtos.

A pesquisa sobre o índice de reciclagem do EPS foi encomendada pela Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos à Maxiquim, consultoria especializada no segmento industrial. Além disso, envolveu empresas de todo o Brasil.

Segundo Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, o objetivo deste trabalho é acompanhar o desenvolvimento deste setor que gera emprego e renda ao Brasil e que compõe o cenário dos novos desafios que se apresentam a partir da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos. “O processo de maturação da indústria da reciclagem passa também por um trabalho de informação e conscientização da sociedade sobre a importância do consumo responsável e descarte correto dos produtos para a economia, assim como para a preservação do meio ambiente”, afirma o executivo.

Fonte: ABRE – Associação Brasileira de Embalagem – 23/07/2014
Endereço:http://www.abre.org.br/noticias/brasil-recicla-345-do-eps-pos-consumo/