Prefeitura vai à Justiça contra interdição da coleta de lixo em BH

Fonte: Jornal Estado de Minas | Autora: Guilherme Paranaiba | Publicação: 29/11/16

A Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte (SLU) criticou a proibição da coleta de lixo na capital mineira com garis ocupando o estribo dos caminhões, com base em determinação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG), braço regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O órgão da Prefeitura de BH que cuida do lixo na cidade informou que já entrou na Justiça com um pedido de liminar para retomada imediata do serviço, principalmente pelos riscos da paralisação da atividade, como as inundações durante o período chuvoso.

A SLU, por meio de sua assessoria de comunicação, disse que uma alteração “dessa magnitude no sistema de recolhimento de resíduos numa cidade do porte de Belo Horizonte demanda um prazo mínimo de adequação técnica e operacional, e que não há meios de se fazer um replanejamento tão radical de forma instantânea, como obriga a decisão do Ministério do Trabalho”, conforme a nota encaminhada pela pasta.

Depois que a SRTE interditou a coleta com a presença de garis ocupando os estribos dos caminhões, solicitando que eles sejam transportados dentro da cabine, a cidade amanheceu com montanhas de lixo nas ruas, principalmente na área central, onde a produção dos resíduos é grande e a coleta é diária. No cruzamento das ruas dos Guaranis e dos Carijós, por exemplo, além do lixo normal gerado ontem, também se acumulava o lixo da varrição, que funciona normalmente.

Bairros como Santa Tereza e Floresta, na Região Leste, que também deveriam contar com a coleta norturna ontem, tiveram ruas lotadas de resíduos nesta manhã. No Bairro Ipiranga, Região Nordeste, comerciantes estão com medo de serem multados pela fiscalização por conta do acondicionamento de gêneros alimentícios nas ruas fora do horário de coleta.

Quantidade de resíduos no Centro de Belo Horizonte cresce 65% em 11 anos

Fonte: Jornal Estado de Minas | Autora: Valquiria Lopes | Publicação: 25/08/16

O lixo produzido e coletado no Centro de Belo Horizonte engrossa uma estatística preocupante dos pontos de vista econômico e ambiental. Com percentual de crescimento muito acima do verificado na produção de resíduos retirados mensalmente em toda a cidade, os materiais descartados por residências, comércios e demais estabelecimentos localizados dentro dos limites da Avenida do Contorno atingiram índice alarmante neste ano. Dados da Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte (SLU) mostram que a média mensal de 6.403 toneladas coletadas no Centro, nos sete primeiros meses de 2016, é 65,5% superior às 3.868 toneladas recolhidas mensalmente na região em 2005.

Para especialistas, o quadro é preocupante e exige intervenção imediata do poder público para implantação de coleta seletiva e de campanhas de conscientização para o consumo consciente. Em relação ao lixo coletado em toda a cidade, a média mensal este ano subiu 30,1% em uma década, apesar de o volume ter sido menor em relação a 2015.

Os índices que traduzem a realidade da coleta domiciliar na capital mineira são também superiores à média nacional apontada no Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Segundo o levantamento, o crescimento da geração de lixo observado no país foi de 25% no intervalo entre 2005 e 2014. O diretor-executivo da Abrelpe, Carlos Silva, afirma que a elevação de 65% somente no Centro de BH é alta e merece a atenção do poder público. “Está muito acima da média da cidade e também do Brasil. É mais que o dobro. É preciso que a administração municipal verifique o que levou a esse aumento e interfira para controle dessa produção de resíduos”, defende.

Entre as possíveis causas para explicar o crescimento do lixo coletado na Região Central de BH, Carlos lista o aumento populacional, o desenvolvimento da cidade, os aumentos da renda e do poder de consumo, bem como a mudança de hábitos da população na hora de ir às compras. “É preciso observar que o Centro de uma grande cidade, como é Belo Horizonte, concentra uma série de serviços, comércios, além de ser uma zona de passagem. Mas o crescimento registrado na área central de BH está muito acima da média”, alerta.

Gastos extras com manutenção

O diretor-executivo lembra que a progressão rápida na geração de resíduos resulta em maior prejuízo ambiental, além de gerar cada vez mais impacto para os cofres públicos nos gastos com varrição, coleta, transporte e acondicionamento desses materiais. Desde 2008, quando o aterro da BR-040 teve sua capacidade esgotada, todo o lixo de Belo Horizonte passou a ser levado para o Aterro Macaúbas, em Sabará. O espaço particular foi a solução encontrada pela PBH para destinar seus resíduos. “Esse trabalho, desde a coleta até o destino final, tem um custo por viagem, que aumenta com o crescimento da produção da quantidade de lixo”, explica.

Assim como Carlos, especialistas lembram da importância de políticas públicas que possam reduzir a quantidade de lixo. Na avaliação da doutora em resíduos sólidos Cynthia Fantoni, pesquisadora do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), faltam incentivos para a programas de reciclagem e para a implantação de indústrias que possam receber e tratar esses materiais. “Em Belo Horizonte, a coleta seletiva tem muito baixa cobertura e atinge apenas alguns bairros da cidade. O poder público pode interferir diretamente na quantidade de lixo gerado e coletado, mas precisa rever suas políticas”, afirma Cynthia. Dados da Abrelpe mostram que grandes cidades têm capacidade para reciclar até 30% do lixo que produz. Em BH, esse percentual está em torno de 10%. “Para aumentar, precisa haver investimento e campanhas que levem a população tanto a reduzir quanto a separar o lixo que produz”, afirma Carlos Silva.

20160825073636507921a

FALTA EDUCAÇÃO

Enquanto o trabalho não avança, crescem as pilhas de entulho no coração da cidade. Morador do Centro há 35 anos, o diretor da Associação de Moradores e Amigos da Região Central de BH (Amarce), Hamilton Carneiro Elian, diz acompanhar a evolução do lixo produzido na região. “A quantidade na porta dos prédios e comércio é maior a cada ano, bem como a sujeira que fica acumulada na rua. Essa situação é muito degradante e afeta negativamente uma região que já é alvo de muitos outros problemas urbanos”, comenta, lembrando que, além de intervenção do poder público, falta educação às pessoas.

Por meio de nota, a SLU informou que a comparação dos números que mostram o crescimento da produção de lixo na área interior da Avenida do Contorno deve levar em conta variáveis, como o aumento da população, replanejamento dos distritos de coleta, variação na ocupação do solo urbano (verticalização, novas moradias, estabelecimento de comércio), mudança de comportamento das pessoas e de empresas (maior ou menor produção e consumo de bens descartáveis), entre outras. Segundo o órgão, é preciso considerar ainda o aumento da população flutuante e entender que BH é considerada uma cidade-dormitório para considerável parte da população do Centro, além da realização de eventos que reúnem maior ou menor público vindo de fora, a exemplo do carnaval e da Virada Cultural.

Sobre o Hipercentro, a superintendência esclareceu que o serviço de coleta de lixo na região é diário (de segunda a sábado), a partir das 20h. “Trata-se de uma área prioritária por causa da grande circulação de pessoas”, informou a SLU por meio de nota. Já a varrição é feita três vezes ao dia (manhã, tarde e noite), inclusive nas praças Sete, Rio Branco e Raul Soares.

Suécia recicla 99% dos resíduos gerados

Fonte: NetResíduos | Publicação: 30/08/2016

A Suécia consegue reciclar 99% dos resíduos sendo que apenas 1% vão para aterro. A elevada taxa de reciclagem é conseguida através da transformação dos resíduos em energia. De acordo com o jornal Global Citizen, das 4,4 milhões de toneladas produzidas por ano, cerca de 2,2 milhões são convertidas em energia via um processo “waste to energy” (WTE).

O processo envolve a queima dos resíduos nas centrais de energia onde o vapor produzido é usado nas turbinas para a produção de electricidade. A eficiência do processo permitiu à Suécia começar a importar resíduos dos países vizinhos, trazendo 800 mil toneladas de resíduos para a produção de electrcidade nas suas 32 instalações espalhadas pelo país.

Em declarações ao Huffington Post Anna-Carin Gripwell, directora de comunicação para a gestão de resíduos no país, defendeu a estratégia adoptada dizendo que “Quando resíduos ficam parados em aterros sanitários, há libertação de gás metano e outros gases de efeito estufa, o que obviamente não é bom para o ambiente”.

85% dos brasileiros não têm acesso à coleta seletiva, mostra estudo

Fonte: Época | Autor: Bruno Calixto | Publicação: 16/06/2016
Se você pode separar o lixo reciclável do lixo orgânico e ter a certeza de que eles vão para o destino correto, você é minoria no Brasil. Um novo estudo encomendado pelo Cempre, o Compromisso Empresarial para a Reciclagem, mostra que quase 170 milhões de brasileiros não são atendidos por coleta seletiva em suas cidades. Estamos muito longe de criar uma economia circular.
Segundo a pesquisa, 1.055 municípios têm programas de coleta seletiva. Como o Brasil tem mais de 5 mil cidades, esse número representa apenas 18% dos municípios. Quando analisamos a quantidade de cidadãos atendidos ou com acesso a algum programa de reciclagem, a porcentagem cai. Só 31 milhões de brasileiros – cerca de 15% da população total do país – podem contar com o “luxo” de separar o lixo. Ou seja, 85% dos brasileiros não têm como destinar resíduos para a reciclagem.

O estudo faz uma análise mais detalhada de 18 cidades do país e mostra outro dado preocupante. Em algumas cidades, a quantidade de material que está sendo reciclado caiu entre 2014 e 2016. O caso de Brasília é um exemplo. A capital federal reciclou 3.700 toneladas de lixo por mês em 2014. Em 2016, esse valor caiu para 2.600 toneladas por mês. Isso acontece principalmente porque o setor de reciclagem também está sofrendo com a crise econômica.

Há também casos positivos. As capitais do Sul – Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba – conseguem atender praticamente 100% dos cidadãos. Outro caso interessante é o Rio de Janeiro. Como a cidade é sede da Olimpíada, ela conseguiu financiamento no BNDES para melhorar a coleta. O resultado aparece nos números. O Rio de Janeiro triplicou a quantidade de toneladas de resíduos destinados para a reciclagem. Mas ainda está longe do ideal – só 65% da cidade é atendida pela coleta seletiva.

Segundo Vitor Bicca, presidente do Cempre, há dados positivos no estudo. O levantamento é feito desde 1994, e a comparação ano a ano mostra que a reciclagem está avançando, apesar de a passos lentos. A partir de 2010, houve um salto importante em quantidade de municípios que reciclam: um aumento de mais de 100%. Isso ocorreu por conta da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Para Vitor, o que falta agora é um maior engajamento das prefeituras. “O entrave é político, e as prefeituras precisam se engajar mais. Quando a política foi aprovada, o governo federal criou linhas de financiamento para o município fazer o plano de gestão, que é a primeira etapa antes de fechar os lixões ou implantar a coleta seletiva. Mas houve um baixo engajamento dos municípios”, diz.

Uma das formas de pressionar por maior participação das prefeituras é cobrar por políticas de coleta seletiva nas eleições municipais deste ano, já que a coleta é responsabilidade de prefeitos. Para o Cempre, outra forma de pressionar é buscar uma mudança de compreensão sobre a reciclagem. Hoje ela é vista apenas como um processo que faz bem para o meio ambiente. Ele acredita que é preciso conscientizar a população de que também faz sentido do ponto de vista econômico. “O resíduo hoje é um bem econômico. Ele pode voltar para a indústria como novo produto, evitando o uso de matérias-primas.”

ITÁLIA APROVA LEI CONTRA DESPERDÍCIO DE COMIDA E ESPERA ECONOMIZAR 12 BILHÕES DE EUROS POR ANO

Fonte: Instituto Akatu
Autor: Equipe Akatu
Publicação: 05/08/16
__________

Um projeto de lei contra o desperdício alimentar foi aprovado no Senado italiano no dia 2 de agosto. O objetivo é poupar 1 milhão de toneladas de comida por ano. Isso significa uma economia de cerca de 12 bilhões de euros anualmente, ou seja, o equivalente a 1% do PIB do país. Cada italiano joga no lixo, em média, 76 quilos de alimentos por ano, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Cultivadores Diretos (Coldiretti) . “É um dado inaceitável”, ressalta o ministro da Agricultura, Maurizio Martina, em entrevista à agência Ansa.

Mas o que fazer com a comida que seria desperdiçada? O plano dos italianos é promover a doação desses alimentos para setores mais vulneráveis da população. Hoje a taxa de desemprego no país está em 20% e milhões de pessoas vivem na pobreza.

E quais alimentos poderiam ser doados? Há alguns pré-requisitos: os que mantiverem os padrões de segurança e higiene mas que por algum motivo não forem vendidos, os que tiverem com o prazo de validade para vencer, e aqueles que não foram colocados no comércio por erro no rótulo.

Restaurantes e supermercados que desejarem ceder seus excedentes à caridade devem apresentar uma declaração cinco dias antes. Também terão incentivos fiscais e descontos em impostos para doarem comida e remédios. Já os agricultores poderão dar o que não for vendido para instituições beneficentes, sem incorrer em custos adicionais.

O ministro explicou para a agência Ansa que o projeto se trata de uma herança da Exposição Universal de Milão, realizada em 2015, cujo tema foi “Alimentando o Planeta, energia para a Vida”.

A França também aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o desperdício de alimentos, mas é mais severa do que a legislação italiana, pois prevê punições para os responsáveis. Os donos de estabelecimentos com mais de 400 m², por exemplo, são obrigados a assinar contratos de doação com instituições beneficentes, do contrário podem pagar multas em até 75 mil euros e ter uma pena de dois anos de prisão.

Esse problema não é só da Itália e da França. Segundos dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de um terço da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada e este número sobe para os 40% no caso da Europa. Todos esses alimentos jogados fora poderiam alimentar cerca de 200 milhões de pessoas.

O desperdício de alimentos deve ser evitado ao máximo, já que a produção consome muitos recursos do ambiente. E a redução do desperdício deve ser buscada não somente no consumo final, mas também nas etapas de plantio, armazenagem, processamento e distribuição de alimentos. Cada consumidor pode fazer a sua parte, com pequenas mudanças em suas práticas cotidianas. Adotar como critérios para a compra não só o preço, mas também a qualidade, a origem, as informações sobre os impactos sociais e ambientais causados pela empresa fabricante, pode trazer grandes benefícios para sua saúde, para a sociedade e para o meio ambiente. E nunca jogar comida no lixo, mas procurar reaproveitar as sobras em outras receitas saudáveis ou doá-las.

Comlurb elogia Olimpíada ‘limpa’ e recolhe menos resíduo que no réveillon

Fonte: GI

Autor: Nícolas Satriano

Publicação: 16/08/16

__________

Desde o dia 3 de agosto, primeiro dia de operação da Comlurb para a Rio 16, até este domingo (14), foram 1.040 toneladas de resíduos recolhidos em instalações olímpicas, praias e live sites – espaços de convivência montados para os Jogos.

São, em média, 104 toneladas de lixo recolhidas por dia. Não é pouco, mas em comparação ao réveillon deste ano, por exemplo, os Jogos têm sido muito mais “limpos”, de acordo com a concessionária. A avaliação vale tanto na média de sujeira recolhida por dia quanto para o comportamento o público na hora do descarte.

A Comlurb constatou menos rejeitos espalhados pelos espaços, o que agiliza o trabalho de garis. Na virada de 2015 para 2016, a quantidade de lixo recolhido em Copacabana representou perto de 70% do que foi coletado durante os 12 primeiros dias de Jogos. No dia seguinte ao réveillon, foram aproximadamente 700 toneladas retiradas da orla e da areia do bairro da Zona Sul.

“A cidade tem estado mais limpa, sim. Mas não significa que a produção de lixo seja menor. Isso porque a população tem colaborado com a questão do descarte de lixo em contêineres, o que faz com que a nossa logística esteja funcionado bem”, afirmou o presidente da Comlurb, Luciano Moreira.

Para o gestor, há uma mudança de perfil do público que tem ido às áreas públicas. Moreira destaca como ponto positivo “a conscientização de cariocas e turistas”. Na avaliação dele, essa experiência positiva da Olimpíada também ocorreu também durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Em cinco dias de jornada, foram 345 toneladas recolhidas.

Multas a cariocas e turistas continuam
O descarte correto não significa, porém, que multas por jogar lixo no chão deixaram de ser aplicadas na cidade. De acordo com Moreira, até esta segunda-feira (15) pela manhã, 3,1 mil multas foram emitidas pelo programa Lixo Certo, que aplica sanções referentes ao descarte incorreto de pequenos resíduos. Das pessoas multadas, mais de 400 são estrangeiras.

Na avaliação da concessionária, o número de penalidades aplicadas é baixo se considerada a quantidade de visitantes em áreas de convivência e boulevards olímpicos. No ranking do lixo dos espaços olímpicos, líder na quantidade de resíduos recolhidos é o Parque Olímpico da Barra, principal centro de competições do Jogos.
Lá, foram 32,4 toneladas. Em seguida, vêm Vila do Atletas, com 21,5 t; Parque Olímpico de Deodoro, com 18,9 t; Orla Conde, na Zona Portuária, com 13,9 t; Cento IBC, com 8,2 t; Estádio Olímpico Engenhão, com 5,8 t; Complexo Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, com 3,5 t; e Parque de Madureira, na Zona Norte, com 2,6 t. No Maracanã, foram 900 quilos de lixo recolhidos.
Papelão e plástico lideram reciclagem

Criada pelo Governo do Rio em parceria com outras instituições, desde o início dos Jogos a plataforma Placar da Reciclagem registou reciclagem de mais mais de 56 toneladas de materiais coletados.
Mais da metade (50,3%) do foi recolhido até agora é papelão. Em seguida, vêm plástico (16,8%); rejeitos (15%); materiais recicláveis não comercializáveis (12,2%); e metal (5,6%).

De acordo com o site, com a ação de reciclagem já foi possível economizar quase quatro mil metros cúbicos de água (3.827), 1.166 árvores, 1 tonelada de carvão mineral, 227 megawattz de energia, cinco toneladas de minério de ferro e 179 barris de petróleo.

Brasil gera resíduo como primeiro mundo, mas o tratamento ainda é de nação subdesenvolvida

Fonte: Revista Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade | Publicação: 09/08/16

No momento em que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/2010) completa seis anos de vigência, a ABRELPE (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) finalizou uma análise inédita e comparativa sobre a situação dos resíduos sólidos urbanos no Brasil e no mundo, e conclui que o País gera RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) como as nações de primeiro mundo, porém trata e destina esses resíduos como país subdesenvolvido.

Cada brasileiro produz em média 387 quilos de resíduos por habitante por ano, o equivalente àquilo que é produzido nos países de renda média/alta (com PIB per capita em torno de US$ 10 mil /ano), de acordo com os dados divulgados em um estudo recentemente publicado pela ISWA (International Solid Waste Association) e UNEP (United Nations Environment Programme).

Por outro lado, enquanto nos países de média e alta renda, a coleta chega a praticamente 100% do que é gerado e a destinação adequada também atinge patamares próximos da totalidade (96% do total), o Brasil ainda está bastante atrasado, equiparando-se aos países com renda bem inferior (PIB per capita inferior a US$ 1.000 por ano).

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil publicado pela ABRELPE, em 2014 foram geradas 78,6 milhões de toneladas de RSU, das quais pouco mais de 71 milhões de toneladas foram coletadas, com 30 millhões de toneladas/ano (42%) sendo encaminhadas para locais inadequados (lixões e aterros controlados).

Tais dados implicam que no Brasil aproximadamente 80 milhões de pessoas (38,5% da população) não têm acesso a serviços de tratamento e destinação final adequados dos resíduos (mais de 3,3 mil municípios brasileiros ainda dispõem seus resíduos em lixões e aterros controlados) e mais de 20 milhões de pessoas sequer contam com a coleta regular.

O relatório internacional Global Waste Management Outlook estima que cerca de 2 bilhões de toneladas de RSU são produzidas anualmente no mundo e que 3 bilhões de pessoas (quase 50% da população mundial) não contam com a destinação final adequada dos resíduos.

“O brasileiro está gerando uma quantidade de resíduos sólidos equivalente ao nosso PIB per capita, porém no quesito gestão o país ainda está muitíssimo atrasado, com índices de destinação adequada muito inferiores à média mundial para os países que estão no mesmo nível do Brasil”, afirma o diretor presidente da ABRELPE, Carlos Silva Filho.

O custo na inação na gestão dos RSU impacta diretamente na saúde pública e no meio ambiente. No mundo, os gastos com a manutenção dos lixões existentes, tratamentos de saúde e degradação ambiental, ocasionados pela falta de coleta e pela destinação inadequada, excedem de 5 a 10 vezes o valor necessário para resolver o problema de gestão dos resíduos.

No Brasil, esta equação é de mais ou menos o dobro do valor. De acordo com estimativas da ABRELPE, seriam necessários investimentos de mais ou menos R$ 7 bilhões até 2023 para universalizar a destinação adequada dos resíduos sólidos no País, montante que representa a metade dos R$ 14 bilhões que o governo precisará desembolsar para remediar os problemas decorrentes da má gestão dos RSU.

“É muito mais barato e eficiente investir em infraestrutura para solucionar o problema, do que desperdiçar quase o dobro de recursos com tratamentos de saúde e remediações ambientais por conta, especialmente, da permanência dos lixões no País”, explica Silva Filho.

Segundo ele, o Brasil precisa priorizar a gestão dos RSU, e cumprir o disposto na PNRS, providenciando o fechamento imediato dos lixões. Para tanto, em sua opinião, é indispensável que os municípios contem com uma fonte de recursos específica para custear as mudanças previstas na Lei e a operação do sistema de gestão de resíduos sólidos, que historicamente tem sofrido com a limitação dos orçamentos públicos municipais.

“Apenas com investimentos adequados poderemos alcançar um modelo eficiente e adequado na gestão de resíduos, que vai resultar em índices elevados de reciclagem e de recuperação de materiais, os quais passam a ser considerados como recursos”, finaliza do diretor presidente da ABRELPE.

Prefeitura de São Paulo implementa serviço de coleta por catadores

Autor: Sara Fernandes

Fonte: Rede Brasil Atual

Publicação: 04/08/16

_________

São Paulo – Vinte e oito distritos da cidade de São Paulo já têm em funcionamento um sistema diferente para coletar lixo: são os catadores de material reciclável que, de porta em porta, fazem o serviço enquanto conversam com os moradores sobre a melhor maneira de descartar os resíduos. A expectativa é que o projeto piloto, implementado há três meses, seja estendido aos os 96 bairros da cidade. A iniciativa foi apresentada hoje (4) durante o terceiro encontro do ciclo de Diálogos Resíduo Zero.

Apesar do pouco tempo, esse tipo de coleta já é considerado mais eficiente e mais econômica pelo poder público e por organizações da sociedade civil. Em média, o custo é de apenas R$ 67 por tonelada coletada, e o total de rejeito é de 20%. Na coleta feita por compactador, o custo é de R$ 252 por tonelada e a média de rejeito de 50%. Na coleta por contêineres, a presença de rejeito é de 60% e o custo é de R$ 175 por tonelada, segundo dados do movimento Aliança Resíduo Zero Brasil.

“A coleta feita pelos catadores é muito mais eficiente que a das empresas, até porque eles fazem o trabalho de conscientizar a população”, disse o coordenador de programas da Secretaria de Serviços, Djalma Oliveira. Atualmente, os catadores recolhem em média uma tonelada por dia de materiais recicláveis em cada um dos 28 distritos onde a operação é realizada. O que não pode ser reciclado é deixado em pontos estratégicos para ser recolhido pelos caminhões de lixo.

Catadores que estiveram presentes no evento afirmaram, no entanto, que as condições ainda são muito desiguais na comparação com as empresas privadas que possuem contratos de coleta de lixo. Atualmente, o serviço está dividido em quatro grandes companhias, que possuem contratos milionários e de pelo menos dez anos. Até o final do ano, a prefeitura espera lançar um edital que subdivida a cidade em diferentes áreas para coleta de lixo e distribua serviço entre mais empresas e entre as cooperativas de catadores.

“Nosso trabalho tem a eficiência reconhecida pelo poder público, mas muitas vezes trabalhamos em troca de migalhas contra concessionárias que ganham milhões. É uma briga desigual”, disse Valquíria Santos, membro da cooperativa de catadores do Grajaú, na zona sul. Segundo ela, a coleta feita porta a porta por catadores é uma demanda histórica da categoria. “Fazemos tudo isso com pouquíssimo incentivo da prefeitura. Tudo o que entra na cooperativa entra pelo trabalho dos catadores, que só querem igualdade e trabalho digno pra levar alimentação pra dentro de casa”, afirmou o presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Eduardo de Paula.

Em São Paulo, apenas 10% das associações reconhecidas de catadores de materiais recicláveis são autorizadas a receber os produtos coletados pela prefeitura. A estimativa do poder público é que pelo menos 10 mil catadores trabalhem de forma autônoma, considerada mais precária que os associados a alguma organização. Da mesma forma, estão registrados no município 550 sucateiros e ferros velhos, mas estima-se que pelo menos 5 mil trabalhem de forma irregular, segundo a Aliança Resíduo Zero Brasil.

Ao todo 94% dos resíduos coletados na cidade de São Paulo vão parar em aterros sanitários. Porém, dados do movimento mostram que pelo menos 86% desses materiais poderiam ter outros destinos, como a reciclagem. Em média, um morador do Alto de Pinheiros, na zona oeste, produz 1,75 quilo de lixo por dia, ante 0,63 quilo diário produzido por morador de Cidade Tiradentes, na zona leste.

O Maior lixão da América Latina

Autor: Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE   |   Por: Marcio Pimenta
Fonte: http://rmai.com.br/estudo-visa-uso-do-residuo-de-ceramica-vermelha-em-concreto/

Brasília é quente, seja pelo clima ou por ser o epicentro das decisões políticas de uma das maiores economias do mundo. Não há muita sombra para se proteger do sol e nem se poupar das conversas. Aqui, tudo e todos, parecem aspirar ao poder. As conversas nos bares e restaurantes, no café do restaurante do Senado, na beira do lago, enfim, em cada quadra fala-se compulsivamente em economia política. É uma cidade de forasteiros, que buscam aqui uma oportunidade de servir ao poder. O motorista que me leva até o local da minha pauta é gentil e me poupa de conversas sobre política. Liga o ar-condicionado e me oferece uma água gelada. O trajeto não é tão longo, mas ele tem tempo para me contar que dirige durante o dia e é cantor gospel nos fins-de-semana. Vitor, o motorista, por coincidência foi o mesmo que me buscou na noite anterior em um restaurante de luxo da cidade, onde estive na condição de convidado, claro. Foi naquela oportunidade que havia contado a ele que era fotojornalista, então, quando me reencontrou ficou animado em saber qual seria a pauta em que eu iria trabalhar. “Comecei a dirigir recentemente, e agora, por causa dos passageiros, estou conhecendo toda a cidade. Mas nunca ouvi falar neste lugar que estou te levando, o que tem lá?”, me pergunta com um misto de curiosidade e preocupação. “É perigoso?”, não se contém em me indagar. Respondo que não faço a menor ideia, pois assim como ele, eu também nunca estive lá antes. Mas tento tranquilizá-lo dizendo de que no Congresso Nacional há pessoas mais perigosas que em nosso destino. Ele pareceu gostar.

A preocupação de Vitor é legítima. Estamos indo para a Estrutural, um dos bairros mais violentos do Distrito Federal. É lá que está o Aterro Controlado do Jóquei, também conhecido como “Lixão do Jóquei”, de responsabilidade do governo do Distrito Federal. Estamos há apenas 15 km de distância da Praça dos Três Poderes. É o maior lixão a céu aberto da América Latina. Nele trabalham – as fontes divergem – entre 600 a 2 600 pessoas. É o senhor João quem nos recebe. Ele destaca um funcionário para me guiar pelo local. Vitor prefere ficar no carro estacionado sob a sombra de uma mangueira.

Há poeira para todo lado. Caminhões de lixo e tratores trafegam em um ritmo frenético, trazendo todo o lixo da cidade de Brasília. A área tem 200 hectares, completamente cercada, e atinge uma altura de até 50 metros de puro lixo. É o destino de 100% do lixo coletado no Distrito Federal. Em números isso significa 2,8 mil toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos por dia e entre 6 mil e 8 mil toneladas de resíduos da construção civil. Rapidamente avisto os primeiros catadores de lixo. E também pombas, ratos, urubus e moscas. “Eles não gostam de ser fotografados”, me avisa o meu guia, Israel. Desço do carro e começo o meu trabalho. Apesar das recomendações da assessoria de comunicação do Serviço de Limpeza Urbana sobre itens de segurança que eu deveria usar, me recuso a colocar a máscara de proteção. Seria ofensivo eu me encontrar protegido enquanto os catadores trabalham sem a proteção que me recomendaram. Prefiro então estar como eles. Israel apenas me observa. Talvez isso tenha ajudado a me aproximar destes trabalhadores. Eles também ficam contentes ao ver que sigo junto com eles por trás de um trator que esmaga com suas esteiras o lixo que será recolhido por eles. “É perigoso, vá com cuidado”, me alerta um deles. Também deve-se ficar atento onde se pisa. Seringas, facas e outros objetos perfurantes e cortantes são mais comuns do que se imagina. Isso sem se falar em vidros. Mas reciclar é preciso. No artigo Profissão: Catador, publicado pela National Geographic Brasil, na edição Especial Lixo, de 2013, destaca-se que a estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que no Brasil existem 600 mil catadores e que eles são responsáveis por 90% dos resíduos que foram recuperados. O catador é, portanto, peça fundamental. Muitos sentem vergonha de estarem recolhendo lixo. Mas não deveriam, sem eles, todos nós estaríamos em apuros. Mas a discriminação existe. E esta é a razão pela qual não gostam muito de fotógrafos.

Mas hoje eles parecem à vontade. “Achei uma boneca!”, vibra uma das catadoras. “O que fará com ela?”, pergunto imediatamente. “Esta vou levar para a minha filha”, e sorri. A catadora, que preferiu não dizer o nome, tem 30 anos, é magra e assim como os demais está quase que completamente coberta com roupa e uma máscara improvisada feita de tecido. O pouco que posso ver são seus belos olhos escuros e uma pele ainda jovem e delicada. Ela chega ao trabalho quando ainda está amanhecendo, “para me poupar do sol”. E retorna para casa para cuidar das crianças na volta da escola. Ela, assim como os demais, não tem salário fixo, e como são autônomos dependem da produção. Eles me contam que ganham por volta de R$ 1.200 a R$ 1.500 por mês. E o futuro os preocupa. No segundo semestre deverá entrar em operação o Aterro Sanitário Oeste, um projeto moderno e elaborado com estudos de impacto ambiental, e com isso o Lixão do Jóquei será desativado.

A cerca, que tem o objetivo de evitar a entrada de pessoas que não estão ligadas à atividade, não impede o acesso de crianças. Quase sempre sozinhas, elas tentam ganhar algum dinheiro para ajudar suas famílias. Mas sempre que flagradas são retiradas pelos funcionários do aterro ou até mesmo conduzidas de volta às suas famílias.

Algum tempo depois, retorno para a portaria e reencontro o meu motorista. Vitor imediatamente liga o ar-condicionado. “Olha, ontem busquei o senhor num restaurante de luxo e hoje o senhor veio trabalhar no lixo… que loucura!”, diz ele já nos conduzindo de volta ao centro de Brasília. “Sabe, enquanto você estava lá fotografando, fiquei contando quantos caminhões entraram para deixar o lixo no aterro. Perdi a conta. Produzimos lixo demais!”, se espanta ele. “Nos restaurantes por exemplo, cada canudo, cada plástico para enrolar canudos, guardanapos, talheres… é mesmo necessário tudo isso?”, enquanto me oferece mais uma água gelada num copo plástico. Dispenso desta vez, seria um luxo desnecessário.