Prefeitura vai à Justiça contra interdição da coleta de lixo em BH

Fonte: Jornal Estado de Minas | Autora: Guilherme Paranaiba | Publicação: 29/11/16

A Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte (SLU) criticou a proibição da coleta de lixo na capital mineira com garis ocupando o estribo dos caminhões, com base em determinação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG), braço regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O órgão da Prefeitura de BH que cuida do lixo na cidade informou que já entrou na Justiça com um pedido de liminar para retomada imediata do serviço, principalmente pelos riscos da paralisação da atividade, como as inundações durante o período chuvoso.

A SLU, por meio de sua assessoria de comunicação, disse que uma alteração “dessa magnitude no sistema de recolhimento de resíduos numa cidade do porte de Belo Horizonte demanda um prazo mínimo de adequação técnica e operacional, e que não há meios de se fazer um replanejamento tão radical de forma instantânea, como obriga a decisão do Ministério do Trabalho”, conforme a nota encaminhada pela pasta.

Depois que a SRTE interditou a coleta com a presença de garis ocupando os estribos dos caminhões, solicitando que eles sejam transportados dentro da cabine, a cidade amanheceu com montanhas de lixo nas ruas, principalmente na área central, onde a produção dos resíduos é grande e a coleta é diária. No cruzamento das ruas dos Guaranis e dos Carijós, por exemplo, além do lixo normal gerado ontem, também se acumulava o lixo da varrição, que funciona normalmente.

Bairros como Santa Tereza e Floresta, na Região Leste, que também deveriam contar com a coleta norturna ontem, tiveram ruas lotadas de resíduos nesta manhã. No Bairro Ipiranga, Região Nordeste, comerciantes estão com medo de serem multados pela fiscalização por conta do acondicionamento de gêneros alimentícios nas ruas fora do horário de coleta.

85% dos brasileiros não têm acesso à coleta seletiva, mostra estudo

Fonte: Época | Autor: Bruno Calixto | Publicação: 16/06/2016
Se você pode separar o lixo reciclável do lixo orgânico e ter a certeza de que eles vão para o destino correto, você é minoria no Brasil. Um novo estudo encomendado pelo Cempre, o Compromisso Empresarial para a Reciclagem, mostra que quase 170 milhões de brasileiros não são atendidos por coleta seletiva em suas cidades. Estamos muito longe de criar uma economia circular.
Segundo a pesquisa, 1.055 municípios têm programas de coleta seletiva. Como o Brasil tem mais de 5 mil cidades, esse número representa apenas 18% dos municípios. Quando analisamos a quantidade de cidadãos atendidos ou com acesso a algum programa de reciclagem, a porcentagem cai. Só 31 milhões de brasileiros – cerca de 15% da população total do país – podem contar com o “luxo” de separar o lixo. Ou seja, 85% dos brasileiros não têm como destinar resíduos para a reciclagem.

O estudo faz uma análise mais detalhada de 18 cidades do país e mostra outro dado preocupante. Em algumas cidades, a quantidade de material que está sendo reciclado caiu entre 2014 e 2016. O caso de Brasília é um exemplo. A capital federal reciclou 3.700 toneladas de lixo por mês em 2014. Em 2016, esse valor caiu para 2.600 toneladas por mês. Isso acontece principalmente porque o setor de reciclagem também está sofrendo com a crise econômica.

Há também casos positivos. As capitais do Sul – Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba – conseguem atender praticamente 100% dos cidadãos. Outro caso interessante é o Rio de Janeiro. Como a cidade é sede da Olimpíada, ela conseguiu financiamento no BNDES para melhorar a coleta. O resultado aparece nos números. O Rio de Janeiro triplicou a quantidade de toneladas de resíduos destinados para a reciclagem. Mas ainda está longe do ideal – só 65% da cidade é atendida pela coleta seletiva.

Segundo Vitor Bicca, presidente do Cempre, há dados positivos no estudo. O levantamento é feito desde 1994, e a comparação ano a ano mostra que a reciclagem está avançando, apesar de a passos lentos. A partir de 2010, houve um salto importante em quantidade de municípios que reciclam: um aumento de mais de 100%. Isso ocorreu por conta da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Para Vitor, o que falta agora é um maior engajamento das prefeituras. “O entrave é político, e as prefeituras precisam se engajar mais. Quando a política foi aprovada, o governo federal criou linhas de financiamento para o município fazer o plano de gestão, que é a primeira etapa antes de fechar os lixões ou implantar a coleta seletiva. Mas houve um baixo engajamento dos municípios”, diz.

Uma das formas de pressionar por maior participação das prefeituras é cobrar por políticas de coleta seletiva nas eleições municipais deste ano, já que a coleta é responsabilidade de prefeitos. Para o Cempre, outra forma de pressionar é buscar uma mudança de compreensão sobre a reciclagem. Hoje ela é vista apenas como um processo que faz bem para o meio ambiente. Ele acredita que é preciso conscientizar a população de que também faz sentido do ponto de vista econômico. “O resíduo hoje é um bem econômico. Ele pode voltar para a indústria como novo produto, evitando o uso de matérias-primas.”

Coprocessamento: ao invés de aterros, “lixo Industrial” vira combustivel para fabricação do cimento

Fonte: Portal Fator Brasil | Publicação: 25/06/16

De acordo com o diretor de Tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Yushiro Kihara, em 2015, a indústria de cimento do Brasil destruiu (coprocessou) cerca de 1,5 milhão de toneladas de resíduos, representando uma substituição de 13,4% da matriz de combustíveis do setor. Contudo, a indústria cimenteira brasileira possui um potencial de destruição de resíduos de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas.

A indústria do cimento do Brasil também coprocessou mais de 350 mil toneladas de pneus. Esse número equivale à cerca de 60.270 mil pneus automotivos inservíveis destruídos. Se enfileirados essa quantidade de pneus daria para dar uma volta ao mundo com folga.

O coprocessamento é a tecnologia em que o mesmo forno que é usado para fazer cimento é também utilizado para destruir resíduos e material inservível. Neste processo, os resíduos industriais e os pneus são usados como combustíveis da chama dos fornos e também substituto de matéria prima (componentes do calcário e da argila).

Esse processo é totalmente controlado por agências ambientais e não altera a qualidade do cimento. Ao contrário, é uma tecnologia consagrada mundialmente e uma das responsáveis para que a indústria cimenteira brasileira seja considerada hoje uma das mais ecoeficiente do mundo, de acordo com o WBCSD – CSI. Essa é uma alternativa significativa para a destruição segura de resíduos causadores de passivos ambientai e doenças. O coprocessamento também contribui para mitigação das emissões de CO2.

Este foi um dos temas abordados durante o 7º Congresso Brasileiro do Cimento, que aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de junho, em São Paulo.

Fábrica de automóveis em São Bernardo reduz a zero os resíduos destinados a aterro sanitário

Fonte: Portal Fator Brasil | Publicação: 24/08/16

A Ford, em sua unidade fabril de São Bernardo do Campo, atingiu mais uma importante meta ambiental: eliminou totalmente o envio de resíduos para o aterro sanitário na região. Com esse novo marco no ABC paulista, a empresa completa mais uma etapa de seu plano de sustentabilidade no Brasil: a fábrica de Taubaté, no Vale do Paraíba, já havia atingido o nível zero de resíduos descartados no início deste ano e a fábrica de motores de Camaçari, na Bahia, já foi concebida dentro deste conceito ambiental.

Esse desafio vencido nas fábricas de automóveis, caminhões, motores e transmissões faz parte do plano global da Ford Motor Company visando a se tornar um modelo de práticas sustentáveis. Esse resultado vem de diversas ações que vão de iniciativas em várias áreas da operação até campanhas de conscientização. Em São Bernardo, a conquista foi celebrada com uma placa comemorativa descerrada pelo diretor de Operações da Ford América do Sul, Félix Guillen.

“Foi um árduo trabalho de educação e de envolvimento de toda a fábrica, incluindo os empregados das áreas de produção e administrativas. Este marco representa muito para a Ford e mais que isso, é uma conquista do planeta”, disse Félix Guillen.

A mais tradicional fábrica da Ford, onde são produzidos o New Fiesta e as linhas de caminhões da Série F e Cargo, zerou o envio de resíduos para aterro em junho último. Como comparação, a cidade de São Bernardo do Campo envia diariamente cerca de 700 toneladas de resíduos domiciliares para aterro. No Brasil, cada pessoa produz em média, cerca de 1 kg de lixo por dia.

Ações em São Bernardo — Desde ações como campanhas de conscientização dos empregados à melhoria de processos de fabricação a triagem de resíduos, a fábrica passou por uma verdadeira revolução de aprimoramentos e atitudes. Foi implementada continuamente a coleta seletiva na unidade, com segregação dos resíduos e destinação ambientalmente correta de cada um.

Atualmente, cada resíduo gerado na fábrica passa por um tratamento diferente, conforme as suas características, como por exemplo: .Folhas secas e restos de jardinagem são separados de resíduos de varrição e usados no processo compostagem, que gera em média 4 toneladas/mês. Resíduos gerados nos restaurantes, como cascas de ovos, frutas e restos de frutas ácidas, têm o mesmo destino.

  • A sílica (saquinhos de mineral), que serve como proteção na embalagem de peças e equipamentos mais sofisticados, é misturada na argamassa usada em obras civis na fábrica. Segundo as análises, o material ajuda a eliminar a umidade e já foram aproveitadas cerca de 7 toneladas dessa forma.
  • Os pallets de madeira são encaminhados para reaproveitamento, com um volume médio mensal de 2 toneladas. As madeiras chamadas inservíveis são transformadas em cavacos para queima em fornos de cerâmica, com volume médio mensal de 84 toneladas.
  • Papelão e isopor são encaminhados a empresas especializadas e transformados em cabides, molduras, porta-retratos ou rodapés. Essa reciclagem envolve mensalmente cerca de 70 toneladas de papelão e 150 quilos de isopor.
  • Latas de alumínio, garrafas PET e embalagens plásticas são separadas internamente e doadas a uma cooperativa de recicláveis de São Bernardo. Nos últimos quatro anos, quase 110 toneladas de copos plásticos foram enviadas para reciclagem. Ou seja, cerca de três toneladas por mês que são transformadas em vários produtos, como sacolas plásticas.

Ilhas de reciclagem —Em várias áreas da empresa, incluindo as administrativas, os empregados são incentivados a realizar a separação adequada de resíduos como papel, garrafas, copos plásticos e embalagens em geral. Foram criadas as chamadas “ilhas de reciclagem”, distribuídas pelos setores de produção e escritórios da organização.

“Um dos objetivos dessa iniciativa foi eliminar os cestos de lixo individuais, debaixo das mesas, que inviabilizam a segregação e reciclagem adequada dos diferentes resíduos. Outro fator positivo é a economia de sacos de lixo”, diz Edmir Mesz, supervisor de Sustentabilidade da Ford São Bernardo.

ITÁLIA APROVA LEI CONTRA DESPERDÍCIO DE COMIDA E ESPERA ECONOMIZAR 12 BILHÕES DE EUROS POR ANO

Fonte: Instituto Akatu
Autor: Equipe Akatu
Publicação: 05/08/16
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Um projeto de lei contra o desperdício alimentar foi aprovado no Senado italiano no dia 2 de agosto. O objetivo é poupar 1 milhão de toneladas de comida por ano. Isso significa uma economia de cerca de 12 bilhões de euros anualmente, ou seja, o equivalente a 1% do PIB do país. Cada italiano joga no lixo, em média, 76 quilos de alimentos por ano, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Cultivadores Diretos (Coldiretti) . “É um dado inaceitável”, ressalta o ministro da Agricultura, Maurizio Martina, em entrevista à agência Ansa.

Mas o que fazer com a comida que seria desperdiçada? O plano dos italianos é promover a doação desses alimentos para setores mais vulneráveis da população. Hoje a taxa de desemprego no país está em 20% e milhões de pessoas vivem na pobreza.

E quais alimentos poderiam ser doados? Há alguns pré-requisitos: os que mantiverem os padrões de segurança e higiene mas que por algum motivo não forem vendidos, os que tiverem com o prazo de validade para vencer, e aqueles que não foram colocados no comércio por erro no rótulo.

Restaurantes e supermercados que desejarem ceder seus excedentes à caridade devem apresentar uma declaração cinco dias antes. Também terão incentivos fiscais e descontos em impostos para doarem comida e remédios. Já os agricultores poderão dar o que não for vendido para instituições beneficentes, sem incorrer em custos adicionais.

O ministro explicou para a agência Ansa que o projeto se trata de uma herança da Exposição Universal de Milão, realizada em 2015, cujo tema foi “Alimentando o Planeta, energia para a Vida”.

A França também aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o desperdício de alimentos, mas é mais severa do que a legislação italiana, pois prevê punições para os responsáveis. Os donos de estabelecimentos com mais de 400 m², por exemplo, são obrigados a assinar contratos de doação com instituições beneficentes, do contrário podem pagar multas em até 75 mil euros e ter uma pena de dois anos de prisão.

Esse problema não é só da Itália e da França. Segundos dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de um terço da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada e este número sobe para os 40% no caso da Europa. Todos esses alimentos jogados fora poderiam alimentar cerca de 200 milhões de pessoas.

O desperdício de alimentos deve ser evitado ao máximo, já que a produção consome muitos recursos do ambiente. E a redução do desperdício deve ser buscada não somente no consumo final, mas também nas etapas de plantio, armazenagem, processamento e distribuição de alimentos. Cada consumidor pode fazer a sua parte, com pequenas mudanças em suas práticas cotidianas. Adotar como critérios para a compra não só o preço, mas também a qualidade, a origem, as informações sobre os impactos sociais e ambientais causados pela empresa fabricante, pode trazer grandes benefícios para sua saúde, para a sociedade e para o meio ambiente. E nunca jogar comida no lixo, mas procurar reaproveitar as sobras em outras receitas saudáveis ou doá-las.

Comlurb elogia Olimpíada ‘limpa’ e recolhe menos resíduo que no réveillon

Fonte: GI

Autor: Nícolas Satriano

Publicação: 16/08/16

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Desde o dia 3 de agosto, primeiro dia de operação da Comlurb para a Rio 16, até este domingo (14), foram 1.040 toneladas de resíduos recolhidos em instalações olímpicas, praias e live sites – espaços de convivência montados para os Jogos.

São, em média, 104 toneladas de lixo recolhidas por dia. Não é pouco, mas em comparação ao réveillon deste ano, por exemplo, os Jogos têm sido muito mais “limpos”, de acordo com a concessionária. A avaliação vale tanto na média de sujeira recolhida por dia quanto para o comportamento o público na hora do descarte.

A Comlurb constatou menos rejeitos espalhados pelos espaços, o que agiliza o trabalho de garis. Na virada de 2015 para 2016, a quantidade de lixo recolhido em Copacabana representou perto de 70% do que foi coletado durante os 12 primeiros dias de Jogos. No dia seguinte ao réveillon, foram aproximadamente 700 toneladas retiradas da orla e da areia do bairro da Zona Sul.

“A cidade tem estado mais limpa, sim. Mas não significa que a produção de lixo seja menor. Isso porque a população tem colaborado com a questão do descarte de lixo em contêineres, o que faz com que a nossa logística esteja funcionado bem”, afirmou o presidente da Comlurb, Luciano Moreira.

Para o gestor, há uma mudança de perfil do público que tem ido às áreas públicas. Moreira destaca como ponto positivo “a conscientização de cariocas e turistas”. Na avaliação dele, essa experiência positiva da Olimpíada também ocorreu também durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Em cinco dias de jornada, foram 345 toneladas recolhidas.

Multas a cariocas e turistas continuam
O descarte correto não significa, porém, que multas por jogar lixo no chão deixaram de ser aplicadas na cidade. De acordo com Moreira, até esta segunda-feira (15) pela manhã, 3,1 mil multas foram emitidas pelo programa Lixo Certo, que aplica sanções referentes ao descarte incorreto de pequenos resíduos. Das pessoas multadas, mais de 400 são estrangeiras.

Na avaliação da concessionária, o número de penalidades aplicadas é baixo se considerada a quantidade de visitantes em áreas de convivência e boulevards olímpicos. No ranking do lixo dos espaços olímpicos, líder na quantidade de resíduos recolhidos é o Parque Olímpico da Barra, principal centro de competições do Jogos.
Lá, foram 32,4 toneladas. Em seguida, vêm Vila do Atletas, com 21,5 t; Parque Olímpico de Deodoro, com 18,9 t; Orla Conde, na Zona Portuária, com 13,9 t; Cento IBC, com 8,2 t; Estádio Olímpico Engenhão, com 5,8 t; Complexo Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, com 3,5 t; e Parque de Madureira, na Zona Norte, com 2,6 t. No Maracanã, foram 900 quilos de lixo recolhidos.
Papelão e plástico lideram reciclagem

Criada pelo Governo do Rio em parceria com outras instituições, desde o início dos Jogos a plataforma Placar da Reciclagem registou reciclagem de mais mais de 56 toneladas de materiais coletados.
Mais da metade (50,3%) do foi recolhido até agora é papelão. Em seguida, vêm plástico (16,8%); rejeitos (15%); materiais recicláveis não comercializáveis (12,2%); e metal (5,6%).

De acordo com o site, com a ação de reciclagem já foi possível economizar quase quatro mil metros cúbicos de água (3.827), 1.166 árvores, 1 tonelada de carvão mineral, 227 megawattz de energia, cinco toneladas de minério de ferro e 179 barris de petróleo.

Correspondente americano chama a atenção para lixeiras sem divisão para lixo reciclável no Maracanã

Fonte: Extra

Publicação: 09/08/16

Um repórter americano chamou a atenção, nesta terça-feira, para as lixeiras do complexo do Maracanã e Maracanãzinho. Correspondente do Los Angeles Times, Vincent Bevins postou uma foto no Twitter, mostrando que as caixas não têm sacos separados, para embalagens recicláveis e para resíduos, conforme indicado na parte externa.

“Acabei de percebeer que os dois buracos dessas lixeiras da Rio2016 levam exatamente para o mesmo lugar”, escreveu no microblog. Logo em seguida, o jornalista acrescenta: “Eu olhei em volta de todo o complexo agora mesmo e todas as lixeiras são dessa forma: tudo indo para o mesmo saco plástico”.

Procurado, o Comitê Rio-2016 ainda não se manifestou sobre o assunto.

Brasil gera resíduo como primeiro mundo, mas o tratamento ainda é de nação subdesenvolvida

Fonte: Revista Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade | Publicação: 09/08/16

No momento em que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/2010) completa seis anos de vigência, a ABRELPE (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) finalizou uma análise inédita e comparativa sobre a situação dos resíduos sólidos urbanos no Brasil e no mundo, e conclui que o País gera RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) como as nações de primeiro mundo, porém trata e destina esses resíduos como país subdesenvolvido.

Cada brasileiro produz em média 387 quilos de resíduos por habitante por ano, o equivalente àquilo que é produzido nos países de renda média/alta (com PIB per capita em torno de US$ 10 mil /ano), de acordo com os dados divulgados em um estudo recentemente publicado pela ISWA (International Solid Waste Association) e UNEP (United Nations Environment Programme).

Por outro lado, enquanto nos países de média e alta renda, a coleta chega a praticamente 100% do que é gerado e a destinação adequada também atinge patamares próximos da totalidade (96% do total), o Brasil ainda está bastante atrasado, equiparando-se aos países com renda bem inferior (PIB per capita inferior a US$ 1.000 por ano).

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil publicado pela ABRELPE, em 2014 foram geradas 78,6 milhões de toneladas de RSU, das quais pouco mais de 71 milhões de toneladas foram coletadas, com 30 millhões de toneladas/ano (42%) sendo encaminhadas para locais inadequados (lixões e aterros controlados).

Tais dados implicam que no Brasil aproximadamente 80 milhões de pessoas (38,5% da população) não têm acesso a serviços de tratamento e destinação final adequados dos resíduos (mais de 3,3 mil municípios brasileiros ainda dispõem seus resíduos em lixões e aterros controlados) e mais de 20 milhões de pessoas sequer contam com a coleta regular.

O relatório internacional Global Waste Management Outlook estima que cerca de 2 bilhões de toneladas de RSU são produzidas anualmente no mundo e que 3 bilhões de pessoas (quase 50% da população mundial) não contam com a destinação final adequada dos resíduos.

“O brasileiro está gerando uma quantidade de resíduos sólidos equivalente ao nosso PIB per capita, porém no quesito gestão o país ainda está muitíssimo atrasado, com índices de destinação adequada muito inferiores à média mundial para os países que estão no mesmo nível do Brasil”, afirma o diretor presidente da ABRELPE, Carlos Silva Filho.

O custo na inação na gestão dos RSU impacta diretamente na saúde pública e no meio ambiente. No mundo, os gastos com a manutenção dos lixões existentes, tratamentos de saúde e degradação ambiental, ocasionados pela falta de coleta e pela destinação inadequada, excedem de 5 a 10 vezes o valor necessário para resolver o problema de gestão dos resíduos.

No Brasil, esta equação é de mais ou menos o dobro do valor. De acordo com estimativas da ABRELPE, seriam necessários investimentos de mais ou menos R$ 7 bilhões até 2023 para universalizar a destinação adequada dos resíduos sólidos no País, montante que representa a metade dos R$ 14 bilhões que o governo precisará desembolsar para remediar os problemas decorrentes da má gestão dos RSU.

“É muito mais barato e eficiente investir em infraestrutura para solucionar o problema, do que desperdiçar quase o dobro de recursos com tratamentos de saúde e remediações ambientais por conta, especialmente, da permanência dos lixões no País”, explica Silva Filho.

Segundo ele, o Brasil precisa priorizar a gestão dos RSU, e cumprir o disposto na PNRS, providenciando o fechamento imediato dos lixões. Para tanto, em sua opinião, é indispensável que os municípios contem com uma fonte de recursos específica para custear as mudanças previstas na Lei e a operação do sistema de gestão de resíduos sólidos, que historicamente tem sofrido com a limitação dos orçamentos públicos municipais.

“Apenas com investimentos adequados poderemos alcançar um modelo eficiente e adequado na gestão de resíduos, que vai resultar em índices elevados de reciclagem e de recuperação de materiais, os quais passam a ser considerados como recursos”, finaliza do diretor presidente da ABRELPE.

Dinamarca torna-se líder no combate ao desperdício alimentar

Fonte: http://www.netresiduos.com/content.aspx?menuid=134&eid=3811&bl=1&page=2
Idioma: Português – Portugal
Publicação: 19/07/2016

A redução do desperdício alimentar está a ter grande sucesso entre os dinamarqueses, através de vários equipamentos sob a forma de bancos alimentares assim como cozinhas e supermercados especializados. Nas lojas da Bo Welfare, um projeto de habitação social, os utentes pagam cerca de 2,40 euros por um saco reutilizável para depois encherem com o que quiserem. Os voluntários que gerem a loja recolhem, duas vezes por semana, vegetais que estejam com embalagens danificadas ou cujo prazo de validade está a terminar.

Estas iniciativas fazem parte de um movimento de cidadãos para ajudar a Dinamarca a reduzir o desperdício alimentar em um quarto, relativamente aos valores de 2014. Esta loja em particular serve 100 a 150 pessoas na localidade de Horsen e a clientela consiste na sua maioria em refugiados e pessoas que estejam a receber benefícios sociais.

A Dinamarca têm atualmente mais iniciativas contra o desperdício alimentar do que qualquer estado europeu. Estas iniciativas incluem campanhas de sensibilização e subsídios do governo para projetos de controlo de desperdício alimentar. O esforço feito pelo lobby Stop Spild Af Mad (Parem de desperdiçar comida) contribuiu para a proliferação destas iniciativas e assim aproxima a Dinamarca dos seus objetivos relativos ao desperdício alimentar.

Repleto de lixo, fundos da Vila Olímpica abrigam depósito de entulho e dejetos

Autores – CAMILA MATTOSO e ROBERTO DE OLIVEIRA, ENVIADOS ESPECIAIS AO RIO
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1797072-repleto-de-lixo-fundos-da-vila-olimpica-abrigam-deposito-de-entulho-e-dejetos.shtml

Enquanto os olhos do mundo se fixam nos prédios de fachada, na entrada da Vila Olímpica, que abrigam delegações como as de Austrália e Itália, nos fundos do complexo imobiliário um amontoado de detritos e restos de material empacotado, que nem foi usado, ocupa uma área aproximada ao tamanho de um campo de futebol.

Não há cerca ou qualquer controle de entrada, muito menos funcionários.

O entulho da Vila Olímpica está a cerca de 80 passos da principal portaria, vigiada por guardas da Força Nacional, por onde entram caminhões que vão abastecer o refeitório olímpico, mas também por onde circulam atletas das delegações.

Quem entra no local, que tem aparência de abandonado, tem uma finalidade: encontrar algum item que possa ser reaproveitado.

Ao menos sete torres, ocupadas por países como África do Sul e Inglaterra, mantêm suas sacadas e janelas voltadas para o amontoado de detritos.

O material encontrado por ali é vasto: há contêineres inteiros ou desmontados, encanamentos, fios, postes, duas caixas d’água, com capacidade para dez mil litros cada uma, tubulações, caixas de metal, guaritas desativadas, cadeiras e carriolas, entre outros itens. E lixo, muito lixo.

Há até material novo, como pacotes de lajotas de pisos ainda plastificados.

Em alguns trechos, o cheiro de urina e fezes é nauseante. Espaço farto para acumulo de insetos, como o Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue e zika, que tanto assustam os estrangeiros, e ratos.

O lema dos Jogos é a “sustentabilidade”, com o objetivo de conduzir todas as atividades com “responsabilidade social, ambiental e econômica”, diz o comitê organizador. Entre suas bandeiras, a principal delas é a redução do impacto ambiental.

A reportagem da Folha circulou por lá durante duas horas. Encontrou, além de detritos, um funcionário da Light, que estava trabalhando na região, à procura de uma cadeira com rodinhas. E a encontrou.

De acordo com alguns funcionários de prédios vizinhos ao terreno, que reclamam da sujeira, muita gente já se deu bem ali, levando as sobras deixadas para casa.

Pela regulamentação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), há um programa chamado Gestão de Resíduos da Construção Civil. Segundo o Sinduscon-Rio, a empresa construtora deve apresentar o projeto de gestão de resíduos. Nessa fase, deve informar qual será a quantidade que será gerada e para onde serão levados.

No fim da obra, a empresa tem de comprovar à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que os detritos foram removidos e informar para qual central de tratamento foram enviados.

OUTRO LADO

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Rio informa que a Vila Olímpica possui licenciamento ambiental emitido em 20 de julho de 2015, com validade de 48 meses. A empresa tem esse prazo para dar destinação correta aos resíduos de construção civil, em local legalizado pela prefeitura, de acordo com a legislação ambiental.

Ainda segundo a pasta, até o fim dos últimos reparos da obra a área será limpa, e os resíduos receberão destinação adequada.

Responsável pela construção do complexo olímpico, a Ilha Pura, consórcio formado por Carvalho Hosken e Odebrecht, disse que a área do entulho fica em terreno que é seu. Afirmou também que parte do material destina-se a obras que ainda estão sendo executadas, apesar de a Vila Olímpica ter sido entregue ao comitê organizador no dia 15 de junho.