Apresentação

Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305/10, o gerenciamento de resíduos sólidos é definido como o “conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos”.

Ainda segundo a referida legislação, estão sujeitas a elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos – e às obrigatoriedades associadas – dentre outras tipologias empresariais, as indústrias, construtoras, unidades de serviço de saúde, empresas que desenvolvem as atividades agrossilvopastoris e os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços.

Assim, essas organizações, deverão – com base no planejamento estabelecido pelo Plano de Gerenciamento de Resíduos – em consonância com as leis e normas vigentes – operacionalizar as ações em prol de gerenciar adequadamente os resíduos gerados em seus processos.

O não atendimento a essas exigências legais, gera riscos às organizações que não tem processos operacionalizados de gerenciamento de resíduos, o que pode resultar em multas, embargos e até mesmo imputação de crimes ambientais aos responsáveis legais, conforme estabelecido pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98).

Entretanto, para além do atendimento a essas exigências legais, o gerenciamento de resíduos deve ser considerado um instrumento de gestão, uma vez que possui estreita relação com a produção e de influência direta nos resultados da empresa.

Além disso, a não implantação de instrumentos corretos de gerenciamento de resíduos, tem grande potencial para impactar a imagem da organização, uma vez que a sociedade, em geral, tem valorizado cada vez mais as questões ambientais e sociais.

Neste sentido, o gerenciamento de resíduos nestas organizações não deve ser compreendido como uma atividade operacional isolada, mas como um processo de evolução contínua e diretamente relacionado à estratégia corporativa. 

Entender esse conceito, e incorporar na cultura corporativa, garantirá o atendimento às exigências legais e a redução do risco associado, mas também resultará na redução de custos e criação de diferenciais competitivos importantes, destacando a organização frente aos concorrentes.

Dessa forma, visando dar transparência a essa contextualização a Ambiência Soluções Sustentáveis desenvolveu a Jornada da Maturidade do Gerenciamento de Resíduos, uma estrutura de trabalho desenvolvida para traduzir os níveis de evolução do tema em estágios claros, permitindo que as organizações identifiquem seu posicionamento atual e visualizem o caminho necessário para alcançar níveis superiores de controle e eficiência e os benefícios que podem ganhar com essa evolução. 

Esta metodologia baseia-se na premissa de que a maturidade não é alcançada apenas pelo cumprimento de obrigações legais, mas pela integração progressiva entre diretrizes da alta gestão, capacitação das equipes e o uso estratégico de tecnologia. Ao percorrer estes níveis, a organização migra de um cenário de vulnerabilidade e risco para um ambiente de governança sólida, onde o resíduo deixa de ser um passivo e passa a ser um ativo de inteligência e valor para o negócio.

No presente documento apresentamos com detalhe a jornada de maturidade do Gerenciamento de Resíduos e detalhamos – em linguagem acessível – cada um dos seis níveis, fornecendo uma base técnica para diagnósticos precisos e para a estruturação de planos de ação que visem a conformidade, a blindagem institucional e o alto desempenho operacional.

Com isso, esperamos contribuir para cada vez mais organizações incluam – definitivamente – o gerenciamento de resíduos em sua cultura e estratégia corporativa. Todos temos a ganhar: organizações, sociedade e meio ambiente.

Conhecendo a jornada

Apesar de todas as exigências ambientais e cobranças por parte do mercado, a realidade mostra que ainda existem empresas que desconsideram o gerenciamento de resíduos e não possuem nenhum procedimento operacionalizado. Essas organizações tratam o tema informalidade, ou simplesmente o ignoram, gerando vulnerabilidade total. 

Esse é nível 0 da Jornada de Maturidade do Gerenciamento de resíduos. Essas organizações estão a margem da lei e possivelmente não sofreram nenhum impacto direto por não gerenciarem resíduos, como, por exemplo, serem multadas. Entretanto, muito além disso, desconsideram os prejuízos diretos que estão tendo por não tratar o tema com a seriedade devida, mesmo que desconsiderem essa questão.

Em um segundo grupo, tem-se aquelas empresas que já se conscientizaram das obrigações legais relacionadas ao gerenciamento de resíduos, e buscam atuar dentro da legalidade. Entretanto, ainda tratam o tema de forma secundária, realizando o mínimo possível para evitar multas em processos fragmentados. Tem-se então o nível 1 da jornada.

Avançando na maturidade, tem-se o nível 2, no qual estão a empresas que já tem possuem procedimentos de gerenciamento de resíduos estabelecidos, emitem MTRs para as coletas realizadas em todas as unidades, elaboram PGRS/PGRCC para todas as unidades.

Além disso, empresas no nível 2 já possuem gestão centralizada dos dados, realizada em planilhas e pastas compartilhadas. Uma ação louvável, mas pouco eficiente, devido ao grande volume de dados e documentos. 

A verdade é que essas limitações de se gerenciar com base em planilhas e pastas esses dados e documentos relacionados ao gerenciamento de resíduos, gera uma demanda excessiva de esforço humano evidenciam às empresas a necessidade de avançarem ao nível 3 da jornada. 

Neste nível a gestão analítica é realizada através de sistemas especializados em resíduos (como o NETResíduos), o que permite a redução do tempo gasto pela equipe de gestão e aumento da eficiência e segurança dos processos.

Assim, com o domínio da gestão de dados e documentos, a equipe de gestão é então liberada para atuar de forma estratégica, atuando na melhoria contínua do gerenciamento de resíduos, alcançando-se o nível 4 da jornada, no qual o tema é um padrão cultural e a eficiência do fluxo dos resíduos gera resultados como a redução de custos.

No nível 4 a economia circular é materializada, uma vez que indicadores relacionados à eficiência do gerenciamento de resíduos são controlados e questões como melhoria do índice de reciclagem e desvio de aterro passam a fazer parte do dia a dia da gestão. Assim, o gerenciamento de resíduos passa a contribuir de forma ativa para fortalecer as ações relacionadas ao ESG na empresa.

Avançando ao mais alto nível da jornada de maturidade do gerenciamento de resíduos chega-se ao nível 5, no qual a melhoria da eficiência da produção é obtida através dos indicadores de resíduos e a empresa passa a se posicionar como destaque no tema.

Com essa evolução passam também a serem controlados indicadores com emissão de gases de efeito estufa e envolvimento de catadores por meio de catadoras(es), fortalecendo ainda mais os aspectos ambientais e sociais relacionados ao ESG.

A seguir detalha-se os níveis que compõem a jornada de maturidade do gerenciamento de resíduos.

Nível 0 – Irregularidade

Estágio de informalidade e vulnerabilidade total. A empresa não tem processos de gerenciamento de resíduos, não atende às exigências legais e depende da sorte para não ser fiscalizada.

  • A Realidade: Operação baseada na informalidade e no improviso. Não há Plano de Gerenciamento de Resíduos, MTRs não são emitidos e não há nenhuma checagem de licenças de transportadores/receptores. Eventualmente, criam-se “ilhas de conformidade” em unidades específicas nas quais o gerenciamento de resíduos é realizado, mas o CNPJ corporativo permanece exposto de forma sistêmica.

  • Diretriz da Alta Gestão: Desconsideração total do tema e dos riscos jurídicos envolvidos.

  • Papel da equipe de meio ambiente: Em muitos casos, a empresa sequer conta com uma equipe de meio ambiente.

  • O Risco: Responsabilidade Criminal. Sócios e diretores podem responder diretamente por crime ambiental. É um cenário de insegurança jurídica total, no qual a empresa não possui condição de defesa caso ocorra alguma fiscalização, visto que nenhuma ação é feita conforme a lei.

Nível 1 – Conformidade burocrática

Estágio de tentativa de blindagem jurídica inicial. O objetivo é atender o mínimo possível exigido pela legislação, apenas para evitar multas ou interdições da operação. 

  • A Realidade: Atendimento reativo à legislação. Embora sejam utilizados os sistemas governamentais para emissão dos MTRs, a gestão é fragmentada. Cada unidade opera de forma isolada, tratando o gerenciamento de resíduos como uma mera burocracia. Não há centralização de informações ou conferência técnica rigorosa por parte do corporativo.

  • Diretriz da Alta Gestão: Foco exclusivo em proteção jurídica básica e prevenção de multas.

  • Papel da Equipe de Meio Ambiente: Coleta, organização e arquivamento de documentos para fins de fiscalização.

  • O Risco: Falsa Sensação de Segurança. Por ser baseado na ação isolada e realizado somente para atender às exigências, erros na emissão de MTRs e inconsistências documentais são constantes e invisíveis. A empresa acredita estar protegida, mas opera em risco e nenhum benefício é obtido com o gerenciamento de resíduos.

Nível 2 – Organização operacional

A empresa percebe que necessita de gestão centralizada, e busca por ordem institucional, centralização e redução dos riscos, mas usa o esforço humano para isso.

  • A Realidade: Lógica de gestão centralizada, porém, dependente de esforço humano intensivo. A empresa utiliza planilhas e pastas compartilhadas para tentar organizar o que ocorre nas unidades/obras. O gestor já possui visibilidade das falhas (MTRs e documentação de transportadores/receptores), mas gasta parte significativa do seu tempo cobrando dados e montando relatórios que já nascem obsoletos.

  • Diretriz da Alta Gestão: Busca por controle centralizado sem investimento em tecnologia.

  • Papel da Equipe de Meio Ambiente: Centralização de informações em planilhas e pastas, com foco em esforço humano intensivo para a reorganização manual de dados

  • O Risco: Ineficiência e dependência Humana. O custo operacional invisível é altíssimo. O processo depende de pessoas específicas e é vulnerável a erros de digitação e esquecimentos. O tempo da equipe de gestão é usado para cobrar as pendências, organizar dados e documentos, sendo impossível focar na melhoria dos processos.

Nível 3 – Controle técnico e eficiência

Estágio de transição tecnológica para a gestão ativa. A empresa deixa de depender do esforço humano para consolidar dados e passa a utilizar a tecnologia para obter visibilidade total e em tempo real sobre a operação.

  • A Realidade: Implementação de tecnologia especializada (como o NETResíduos) em todas as unidades/obras, centralizando as informações em um painel de controle corporativo. O sistema identifica automaticamente as pendências documentais e operacionais, o que libera o gestor do tempo anteriormente gasto com a organização manual de planilhas. Com o dado fluindo sem necessidade de reorganização, o foco da equipe corporativa passa a ser a resolução lógica e imediata de pendências e a capacitação das frentes de trabalho, preparando o terreno para que o gerenciamento de resíduos seja incorporado à rotina e à cultura da operação. Neste nível o risco de infrações legais é reduzido drasticamente, o tempo operacional de gestão de dados e documentos é reduzido, mas ainda não se obtém benefícios significativos como a redução de custos proveniente da melhoria do gerenciamento de resíduos.

  • Diretriz da Alta Gestão: Prioridade em visibilidade, agilidade e controle total via sistema.

  • Papel da Equipe de Meio Ambiente: Monitoramento analítico do sistema, resolução lógica de pendências e capacitação técnica das frentes operacionais.

  • O Risco: Subutilização Estratégica. Embora a gestão corporativa tenha visão geral do gerenciamento de resíduos e controle sobre as pendências e custos, o risco aqui é limitar o uso da tecnologia ao controle operacional, falhando em transformar essa eficiência em um ativo de governança para decisões de alto nível e diferenciação de mercado.

Nível 4 – Eficiência do gerenciamento de resíduos

Estágio de aculturação e maturidade institucional. O gerenciamento de resíduos deixa de ser uma tarefa isolada do setor ambiental e passa a ser parte integrante da cultura e da rotina operacional de todas as unidades.

  • A Realidade: A conformidade ambiental torna-se um padrão de comportamento natural da operação. Como o gerenciamento de resíduos está totalmente assimilado pelos processos e pela cultura da empresa, as pendências e os passivos são evitados na origem. Por consequência, a integridade dos dados torna-se absoluta e o gestor corporativo deixa de gastar tempo cobrando a resolução de problemas básicos ou organizando informações. A equipe de meio ambiente foca em aumentar a eficiência do gerenciamento de resíduos, o que contribuirá para reduzir custos, aumentar a valorização dos resíduos e fortalecer a blindagem institucional da companhia. Assim, neste nível a empresa já colhe os resultados de redução de custo devido a melhoria do gerenciamento de resíduos. Além disso, neste nível há a materialização de economia circular, com foco total na melhoria total do gerenciamento de resíduos e melhoria da destinação e aproveitamento dos resíduos.

  • Diretriz da Alta Gestão: Institucionalização do gerenciamento de resíduos como valor cultural e estratégico.

  • Papel da Equipe de Meio Ambiente: Melhoria contínua do gerenciamento de resíduos, redução de custos, valorização dos resíduos e fortalecimento da cultura de conformidade em toda a organização.

  • O Risco: Inércia de Valor. Apesar de possuir uma operação fluida, culturalmente madura e dados inquestionáveis, a empresa corre o risco de não converter essa excelência em diferencial competitivo, falhando em usar os indicadores para melhorar a produção e comunicar sua maturidade para valorizar sua marca.

Nível 5 – Alto desempenho e valor estratégico

O topo da maturidade institucional, no qual a governança de resíduos deixa de ser uma obrigação de conformidade e passa a ser um indicador estratégico de análise e melhoria da produção.

  • A Realidade: A empresa utiliza sua maturidade operacional e a integridade absoluta de seus dados como um motor de análise da eficiência da produção. O gerenciamento de resíduos fornece indicadores preditivos que permitem corrigir falhas de produtividade na origem e reduzir o desperdício. Aqui, o gerenciamento de resíduos é totalmente integrada à eficiência e lucratividade do negócio e passa a ser divulgado como diferencial competitivo. Dessa forma, neste nível, além da redução de custos do gerenciamento de resíduos, já obtidos no nível 4, os processos contribuem para melhoria da produção e obtenção de resultados ainda mais significativos.Além disso, temas mas complexos e indicadores mais avançados passam a ser controlados, como a emissão de gases do efeito estufa e a participação de catadoras(es) de materiais recicláveis, fortalecendo ainda mais a política ESG da empresa.

  • Diretriz da Alta Gestão: Foco na conversão da governança ambiental em eficiência, competitividade e diferencial de mercado.

  • Papel da Equipe de Meio Ambiente: Geração de inteligência de dados para suporte à tomada de decisão e criação de valor para o negócio.

  • O Risco: Estagnação Competitiva. Em um mercado altamente competitivo e com exigências de governança em constante evolução, o risco é a estagnação. O desafio é manter a inovação contínua para evitar que a concorrência alcance o mesmo patamar de eficiência, diluindo o diferencial competitivo e a percepção de vanguarda da companhia.

A seguir a tabela apresenta, de forma resumida, os níveis da jornada de maturidade.

Matriz da Maturidade da Jornada do Gerenciamento de Resíduos

Conheça a Ambiência

Fundada em 2008, a Ambiência Soluções Sustentáveis consolidou-se como uma consultoria de Especialização Avançada em Gestão e Governança de Resíduos, dedicada a conduzir organizações ao alto desempenho técnico, operacional, financeiro, ambiental e social. 

Nossa atuação supera a simples conformidade legal: entregamos método, rigor técnico e inteligência de dados para apoiar a tomada de decisão da alta gestão, atuando na estratégia que reduz riscos técnicos, jurídicos e financeiros.

Para materializar essa visão, integramos ao nosso método a NETResíduos, nossa plataforma proprietária que atua como infraestrutura digital da gestão. Diferente de consultorias tradicionais, possuímos um ecossistema onde o que a Ambiência estrutura como estratégia, a tecnologia traduz em dados, rastreabilidade e compliance em tempo real. Assim, estabelecemos os fundamentos para a gestão orientada por dados,  criando a base  tecnológica para elevar o gerenciamento de resíduos ao nível de governança. Veja mais no LinkedIn (ver aqui) ou o site (ver aqui).

No setor privado, aplicamos essa combinação de método e tecnologia conduzindo grandes geradores — como indústrias, construtoras e unidades de saúde — através de uma Jornada de Maturidade. Com mais de 300 Planos de Gerenciamento elaborados e atuação em organizações de referência como MRV Engenharia, ArcelorMittal, Vale e M Dias Branco, estruturamos processos que garantem blindagem jurídica e otimização de custos.

Com a mesma profundidade técnica, atuamos no setor público como braço estratégico de prefeituras, consórcios e outros órgãos públicos no planejamento de políticas de gestão de resíduos, a exemplo de projetos em Belo Horizonte e na Região do ABC Paulista. 

Além disso, apoiamos investidores no desenvolvimento de novos negócios, entregando estudos de viabilidade fundamentados na experiência prática de quem conhece a realidade do setor.

Essa visão sistêmica não fica restrita aos projetos; ela pauta também nossa produção de conteúdo para o setor. Para conferir nossos artigos técnicos e a aplicação do método, acesse o LinkedIn (ver aqui), site (ver aqui) ou entre em contato através do WhatsApp (clique aqui).